As Centrais Sindicais brasileiras manifestam sua solidariedade à Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), às Federações, aos Sindicatos filiados e aos seus dirigentes diante das repercussões decorrentes da divulgação do Relatório Final do Inquérito da Operação Sem Desconto.
Ao longo de mais de seis décadas, a CONTAG consolidou uma trajetória de luta em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais, da agricultura familiar, da reforma agrária, da democracia e do desenvolvimento rural sustentável. Sua atuação contribuiu decisivamente para importantes conquistas sociais, previdenciárias e trabalhistas, para a formulação de políticas públicas e para o fortalecimento da agricultura familiar, responsável por parcela significativa da produção de alimentos que chega diariamente à mesa da população brasileira.
O movimento sindical brasileiro reafirma seu absoluto compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições democráticas, reconhecendo a importância da atuação dos órgãos públicos responsáveis pela investigação e pela responsabilização de eventuais irregularidades.
Da mesma forma, reafirma que o Estado Democrático de Direito exige a observância plena dos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência. São essas garantias que asseguram que a verdade dos fatos seja estabelecida com base em provas e no regular funcionamento das instituições da República.
As informações públicas divulgadas até o momento registram que, ao longo das investigações, foram afastadas acusações relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo dirigentes da CONTAG, permanecendo questões que serão objeto do regular processo judicial, no qual deverão ser plenamente assegurados o contraditório, a produção de provas e o direito de defesa.
As Centrais Sindicais acompanham com preocupação toda situação que possa resultar na criminalização da atividade sindical ou no enfraquecimento das organizações representativas da classe trabalhadora. A liberdade sindical, a autonomia das entidades e o direito de organização constituem pilares essenciais da democracia e instrumentos indispensáveis para a promoção do diálogo social, da negociação coletiva e da defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Por essas razões, as Centrais Sindicais reafirmam sua solidariedade institucional à CONTAG, ao seu Sistema Confederativo, às Federações, aos Sindicatos e aos seus dirigentes, confiando que o regular andamento do processo permitirá o completo esclarecimento dos fatos, com estrita observância das garantias constitucionais e dos princípios do Estado Democrático de Direito.
Ao reafirmarem essa solidariedade, as Centrais Sindicais reconhecem a história, a legitimidade e a contribuição da CONTAG para a organização dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, para a agricultura familiar e para a construção de políticas públicas que ampliaram direitos, promoveram inclusão social e fortaleceram a democracia brasileira. Essa trajetória merece respeito e será preservada pelo compromisso comum com a verdade, a Justiça e o Estado Democrático de Direito.
São Paulo, 09 de agosto de 2026.
Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Sônia Maria Zerino da Silva, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)
Alvaro Egea, presidente interino da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) Nilza Pereira Almeida, secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora
José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor


