Por Altamiro Borges
Pesquisa da consultoria Zuban Córdoba divulgada nesta semana mostra que a maioria dos argentinos (70,5%) desaprova os ataques grotescos de Javier Milei, “El Loco”, ao presidente Lula. De acordo com a sondagem, apenas 20% aprovam os insultos do mandatário do país vizinho, que faz o papel de capanga do “imperador” Donald Trump. O levantamento também aponta que 88,9% consideram o Brasil vital para a economia argentina, enquanto 10,5% dizem que o país não é importante.
Nos últimos dias, o fascista que preside a Argentina obrou várias baixarias contra o Brasil. Em 25 de julho, ao participar da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), vulgo Flávio Rachadinha, Javier Milei chamou Lula de “presidiário e ladrão” e ainda rotulou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”. O aloprado ainda “dançou”, vomitou palavrões e fez outras provocações, ferindo totalmente a diplomacia que deve reger a relação entre duas nações. Na sequência, o difusor de fake news fez várias postagens nas redes digitais elevando o tom das agressões.
Brasil reage às provocações do El Loco argentino
Ao comentar o resultado da pesquisa, analistas do instituto realçaram os riscos políticos e diplomáticos da postura adotada pelo presidente argentino. “Confrontar Lula pode servir à épica libertária de Milei, mas escalar com o Brasil tem um baixo apoio social e um alto custo político e econômico”. Eles lembram que a turbulência contrasta com a integração entre as duas nações. A Argentina figura como o terceiro maior sócio comercial do Brasil, sendo destino de cerca de 5% de todas as exportações brasileiras.
Diante das provocações de El Loco, o governo Lula decidiu rebaixar o nível da representação diplomática com a Argentina para o patamar de encarregados de negócios – o que pode provocar danos econômicos à nação vizinha. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o chanceler Mauro Vieira também anunciou que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi convocado a Brasília para consultas e só retornará à capital argentina caso “El Loco” cesse os insultos contra Lula. Ele também relatou que o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, deixou o território brasileiro após a determinação do Itamaraty.
Agressões aumentam chance de voto em Lula
As baixarias de Javier Milei até agora também não serviram para alavancar a candidatura de Flávio Rachadinha. Segundo pesquisa da Quaest, o apoio do fascista argentino ao seu “hermano” brasileiro aumenta a chance de voto em Lula para 34% dos brasileiros – contra 27% que afirmaram que o endosso serve ao filhote do “presidiário” Jair Bolsonaro. A Quaest também perguntou se os entrevistados sabiam do apoio do argentino ao cupincha nativo. A maioria (55%) nem sequer tomou conhecimento da atitude do cabo eleitoral.
Como ironizou Leonardo Sakamoto em matéria no UOL na terça-feira (11), “Javier Milei não entendeu uma regra básica e não escrita do comportamento nacional: o brasileiro pode detonar o próprio país à vontade, mas não tolera estrangeiro fazendo isso com prepotência. Xingar o governo é direito nosso, de mais ninguém. Com autoestima que beira o delírio, o argentino ignora que ataques toscos disparados da Casa Rosada não caem bem nem entre o eleitorado independente crítico do petismo. Em vez de ajudar a extrema direita brasileira, ele faz o oposto”.
Charge: Ramón Díaz Yanes/Cartoon Movement


