CTB defende avanço da PEC que acaba com a escala 6×1

Relator Omar Aziz pretende apresentar relatório no dia 2 de setembro e buscar votação da proposta no plenário do Senado

A luta pelo fim da escala 6×1 pode avançar para uma etapa decisiva na próxima semana. O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e estabelece dois dias de descanso semanal, anunciou que pretende apresentar seu relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 2 de setembro e trabalhar para levar a matéria à votação no plenário do Senado.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) apoia o avanço da proposta e considera o fim da escala 6×1 uma medida fundamental para garantir melhores condições de vida e trabalho à classe trabalhadora.

Segundo Omar Aziz, o esforço concentrado do Congresso, previsto entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, será utilizado para dialogar com os parlamentares e buscar um acordo para acelerar a tramitação da PEC.

A proposta reduz a jornada semanal das atuais 44 para 40 horas e estabelece a substituição da escala 6×1 pelo modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

“Vamos acabar com a escala 6×1 e garantir a 5×2, dando saúde mental aos trabalhadores, permitindo que a gente possa ter mais tempo com a nossa família”, afirmou o relator.

CTB: fim da 6×1 é uma conquista para a classe trabalhadora

Para a CTB, o fim da escala 6×1 está diretamente relacionado à defesa da saúde, da dignidade e da qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

A jornada 6×1, especialmente em setores como comércio e serviços, submete milhões de pessoas a uma rotina exaustiva, que se soma aos longos deslocamentos, às responsabilidades familiares e, em muitos casos, aos estudos.

A redução da jornada e a ampliação do período de descanso representam mais tempo para a convivência familiar, lazer, formação profissional, cuidados pessoais e participação social.

A entidade também destaca que a mudança precisa ocorrer sem redução de salários, garantindo que a redução da jornada represente efetivamente uma conquista para quem vive do trabalho.

Mulheres são diretamente impactadas

Durante sua manifestação, Omar Aziz também chamou atenção para os efeitos da jornada sobre as mulheres, que enfrentam frequentemente a chamada dupla jornada, conciliando o emprego com o trabalho doméstico e os cuidados com os filhos.

“Ela tem que cuidar da casa e trabalhar fora. Você vê que ela está com a saúde mental abalada”, afirmou o senador.

Para a CTB, enfrentar essa realidade exige políticas que reduzam a sobrecarga de trabalho e ampliem o tempo destinado à vida fora do emprego. O fim da escala 6×1 é, nesse sentido, também uma medida de combate à desigualdade de gênero e de valorização do trabalho de cuidado.

Governo também defende aprovação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou nesta segunda-feira (24) a mobilização pela aprovação do fim da escala 6×1 sem redução salarial.

“O povo trabalhador que movimenta este país merece ter mais tempo para o lazer, para cuidar da saúde e para acompanhar o crescimento dos filhos. É sobre tempo para a família”, afirmou Lula.

A CTB defende que o Congresso aprove a proposta e avance na construção de uma jornada de trabalho mais justa. Para a Central, os ganhos de produtividade da economia devem ser acompanhados por melhores condições de trabalho e por uma distribuição mais equilibrada do tempo entre trabalho, descanso e vida familiar.

A próxima semana, portanto, poderá representar um momento importante para a luta pelo fim da escala 6×1. A CTB seguirá mobilizada para que a PEC avance no Congresso e para que a classe trabalhadora conquiste mais descanso, mais qualidade de vida e menos exploração, sem redução de salários.

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