Bancários do Banco do Brasil e da Caixa entram em greve por tempo indeterminado em Sergipe

Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil.

Trabalhadores rejeitaram propostas das instituições e cobram avanços nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026

Os trabalhadores e trabalhadoras do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal iniciaram, nesta quinta-feira (10), uma greve por tempo indeterminado em Sergipe. A paralisação ocorre após a categoria rejeitar as propostas apresentadas pelas duas instituições nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026.

A mobilização é conduzida pelo Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), que esteve nesta quinta-feira (10) nas regiões das agências do Banco do Brasil e da Caixa, no centro de Aracaju, acompanhando o início da paralisação e dialogando com a categoria. A greve também foi destaque na imprensa sergipana, com dirigentes sindicais concedendo entrevistas a emissoras de rádio e televisão.

Segundo o presidente do SEEB/SE, Adilson Azevedo, a paralisação é um instrumento legítimo de pressão para garantir avanços nas negociações.

“Em Sergipe, a deliberação dos colegas do BB e da Caixa representa um instrumento legítimo de pressão para que as negociações avancem. O resultado das votações demonstrou que as propostas específicas apresentadas aos funcionários dos bancos públicos ainda não respondem de forma suficiente às reivindicações da categoria. O Sindicato seguirá fortalecendo a mobilização e cobrando das instituições propostas que realmente respeitem o empenho dos bancários e bancárias”, afirmou.

Banco do Brasil

No Banco do Brasil, 55,62% dos trabalhadores em Sergipe votaram pela deflagração da greve por tempo indeterminado. A categoria rejeitou a proposta da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2028 apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e também o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico do BB.

Os trabalhadores consideraram insuficientes as medidas apresentadas pelo banco, entre elas o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para a Cassi e a realização de estudos para revisão do Plano de Carreira e Remuneração.

O Banco do Brasil retomou as negociações com o movimento sindical na última terça-feira (8), mas manteve a proposta anterior, alegando ter atingido seu limite em razão das restrições eleitorais.

O banco também informou sobre um bônus de R$ 3 mil destinado a 71,5 mil empregados e afirmou que o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) está condicionado à assinatura do ACT.

Caixa Econômica Federal

Na Caixa, a rejeição da proposta também levou os trabalhadores à greve. Em todo o país, 90% das assembleias rejeitaram a proposta apresentada pelo banco, com 93 bases sindicais aprovando a paralisação por tempo indeterminado.

Um dos principais pontos de conflito é o Saúde Caixa. A proposta apresentada pela instituição prevê mudanças no modelo de custeio do plano, com aumento da participação dos empregados e aposentados.

Para os empregados da ativa, a contribuição do titular passaria a variar de 2,7% a 4,5%, conforme a idade, enquanto a mensalidade por dependente ficaria entre R$ 480 e R$ 660. A proposta também eleva de 7% para 9% o teto familiar da remuneração-base.

Para aposentados e pensionistas, a alíquota do titular seria de 4,5%, com cobrança de R$ 660 por dependente. Também estão previstos aumentos na consulta de pronto-socorro, de R$ 75 para R$ 150, e no limite anual de coparticipação familiar, de R$ 3.600 para R$ 4.800.

Após a rejeição da proposta, a Caixa retomou as negociações com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e sinalizou a apresentação de uma nova proposta para o ACT nesta quinta-feira (10). A greve, entretanto, permanece mantida como forma de pressionar a instituição por avanços.

BNB e Banese não aderiram à greve

A paralisação em Sergipe não envolve todos os bancos. Os empregados do Banco do Nordeste (BNB) decidiram suspender o indicativo de greve aprovado anteriormente e aceitaram a proposta apresentada pela direção da instituição, com 66,67% dos votos favoráveis.

No Banco do Estado de Sergipe (Banese), os trabalhadores aprovaram o ACT 2026/2028 em assembleia realizada na quarta-feira (9). A proposta recebeu 62,02% dos votos favoráveis.

Após cinco rodadas de negociação, o SEEB/SE informa que garantiu a manutenção das cláusulas sociais do acordo anterior e conquistou ganho real de 1% acima do índice definido pela Fenaban (INPC + 0,6%), válido para 2026 e 2027. A assinatura do acordo está prevista para esta sexta-feira (11).

Nas instituições financeiras privadas, os trabalhadores aprovaram a proposta da CCT apresentada pela Fenaban nas assembleias realizadas em todo o país.

A greve do Banco do Brasil e da Caixa segue por tempo indeterminado em Sergipe, enquanto as negociações continuam em âmbito nacional.

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