Dossiê da CTB alerta para a importância de proteger salários, pisos e condições de trabalho durante a implementação da redução da jornada.
A redução da jornada de trabalho precisa significar mais tempo para viver, e não menos dinheiro no fim do mês. Essa é uma das principais preocupações para a implementação das mudanças previstas na Emenda Constitucional nº 141/2026, que estabelece a redução progressiva da jornada máxima semanal e garante dois dias de repouso remunerado.
O dossiê Subsídios para negociação da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 destaca que a mudança deve ocorrer sem redução salarial. A proteção abrange o valor nominal dos salários, sua proporcionalidade e os pisos salariais, conforme as orientações jurídicas reunidas no documento.
A garantia é fundamental para impedir que empresas tentem transferir aos trabalhadores os custos da redução do tempo de trabalho. Afinal, diminuir a jornada sem preservar a remuneração poderia comprometer o orçamento das famílias e esvaziar o sentido social da conquista.
Redução da jornada não pode virar intensificação do trabalho
A proteção dos salários não é o único ponto que exige atenção. Também é necessário observar se a diminuição das horas trabalhadas será acompanhada por aumento de metas, aceleração do ritmo de produção, acúmulo de funções ou pressão para realizar, em menos tempo, o mesmo volume de trabalho.
Uma jornada menor deve contribuir para melhorar as condições de trabalho e ampliar o tempo de descanso. Se a mudança vier acompanhada de sobrecarga, o resultado poderá ser o agravamento do desgaste físico e emocional dos trabalhadores.
Por isso, a negociação coletiva deve tratar não apenas do número de horas, mas também da organização das escalas, da distribuição das tarefas, das metas e das condições necessárias para que o trabalho seja realizado de forma segura.
O que os sindicatos devem observar
O dossiê recomenda revisar os acordos e as convenções coletivas para identificar cláusulas incompatíveis com as novas regras. Essa análise deve preservar os direitos mais favoráveis já conquistados e impedir que a adequação seja utilizada como justificativa para retirar benefícios.
Entre os pontos que merecem acompanhamento estão:
- a manutenção dos salários e dos pisos salariais;
a adequação da jornada semanal aos limites previstos;
a garantia dos dois dias de repouso remunerado;
a preservação de condições mais favoráveis estabelecidas em instrumentos coletivos;
a prevenção de sobrecarga, intensificação do trabalho e aumento abusivo de metas.
A fiscalização também será essencial para identificar eventuais irregularidades e orientar os trabalhadores sobre como buscar apoio sindical.
Uma conquista que precisa chegar ao contracheque e à rotina
A redução da jornada é uma pauta histórica do movimento sindical e está diretamente relacionada à disputa por melhores condições de vida. Para que seus efeitos sejam reais, a mudança precisa preservar a renda e assegurar que o tempo liberado do trabalho não seja substituído por novas formas de pressão.
A defesa da redução da jornada sem redução salarial reafirma um princípio essencial: os avanços nas condições de trabalho não podem ser financiados pelos próprios trabalhadores. O objetivo é garantir mais tempo para viver, com remuneração preservada, saúde e dignidade.


