O Brics e a luta por uma nova ordem financeira

Apesar da timidez com que a mídia tradicional tratou o assunto, a reunião de cúpula dos Brics, realizada em Fortaleza, desencadeia um fato político de grandes proporções no cenário internacional.

A criação de um Banco de Desenvolvimento com capital inicial de 50 bilhões de dólares, associado a um fundo de reservas de ajuda mútua, no importe de U$100 bilhões, representa importante passo para criar uma alternativa aos atuais instrumentos financeiros da hegemonia estadunidense e europeia.

Trata-se da criação de uma poderosa instituição para alavancar investimentos em infraestrutura, tão necessários nos países em desenvolvimento, diferenciando-se do antigo receituário extorsivo praticado pelo FMI e Banco Mundial.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul reúnem um PIB de 16 trilhões de dólares e já respondem atualmente por metade da expansão da economia global. Representam 42% da população mundial, 45% da força de trabalho e detém grande parte do consumo no planeta.

Fato é que desde a quebra do acordo de Bretton Woods nos anos 70, quando os EUA tomaram a decisão de romper com a equivalência em ouro para emissão de sua moeda, houve uma espiral de liquidez a inundar o mundo nos momentos de crise norte-americana, como parte de uma estratégia global de dominação das finanças mundiais.

Fugir dessa armadilha monetária exige articulação entre os países emergentes. Assim, a utilização do dólar como moeda de transação possui alto custo, a exigir a equivalência direta de preços, algo a ser perseguido pelos países componentes dos Brics.

Não faz sentido uma transação comercial entre Brasil e Índia passar pela conversão de real para dólar e somente depois para rúpia. Além dos problemas operacionais que isto acarreta, há uma perda de soberania monetária, visto que os negócios oscilam de acordo com as decisões do FED (Banco Central Norte-americano) que retraem ou expandem a presença do dólar na economia, de acordo apenas com seus interesses, desconsiderando os reflexos de tal medida em outros países.

Acertou a presidente Dilma Roussef quando afirmou que “o banco representa uma alternativa para as necessidades de financiamento dos países em desenvolvimento, compensando a insuficiência de crédito das principais instituições financeiras internacionais”.

Na mesma semana, apesar do fracasso dentro de campo, o Brasil marca dois golaços, o reconhecimento internacional de que realizou uma excelente Copa e uma grande decisão rumo à nova arquitetura financeira global.

Augusto Vasconcelos é presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia


 

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