Movimentos sociais fortalecem jornada de luta anti-imperialista

Para lembrar os 10 anos da vitória dos povos sobre a Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas), representantes dos movimentos sociais se reuniram na última quarta-feira (7) no Sindicato dos Engenheiros em São Paulo e realizaram o ato de lançamento nacional da Jornada Continental de Luta Anti-imperialista no Brasil.

O encontro contou com a participação do dirigente nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), João Pedro Stédile, que iniciou o debate sobre os desafios atuais da luta anti-imperialista. A CTB realizou em 3 de outubro, dia do aniversário da Federação Sindical Mundial (FSM), um Ato Mundial Anti-imperialista, que contou com a participação de representantes de 42 países da América, África, Ásia e Europa.     

Stédile fez uma retrospectiva da luta de classes no continente e pontuou elementos que explicam a complexa situação vivida em toda a região. Segundo ele, com a crise internacional do capitalismo, os Estados Unidos retomaram a ofensiva econômica sob os países da América do Sul, além disso o monopólio midiático e a ofensiva dos serviços de espionagem sobre os países são os métodos utilizados para atacar os governos progressistas e de esquerda na região.

Ele expressou que mecanismos unitários como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) são necessários para combater o imperialismo. “A 2ª derrota da Alca foi a construção destes dois blocos que enterraram a OEA”, informou.

Para ele, é preciso haver mais mobilização popular para avançar sob as atuais ameaças de golpe e retrocesso nos países da América Latina e Caribe. “Nossa tarefa principal é o trabalho de base e a formação política, pois não houver ascenso da massa nós vamos ser derrotados pelo império”, alertou.

Em nome da CTB, o secretário de Políticas Sociais, Rogério Nunes, recordou que há cinco séculos os povos estão sendo explorados e dizimados de suas terras. “Hoje estamos em outro patamar de luta, temos consciência de que é preciso construir uma nova alternativa para resistir a esta nova onda conservadora que se espalha pelo continente”, declarou o cetebista.

Durante as falas da mesa, coordenada pela assessora da CTB Márcia Viotto e pela coordenadora da Articulação Continental dos Movimentos Sociais da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), Paola Estrada plateia também fez intervenções com palavras de ordem em defesa da unidade dos povos e do bolivarianismo.

Representando a Federação Sindical Mundial (FSM), que completou no dia 3 de outubro seus 70 anos de luta contra o capitalismo, imperialismo, neocolonialismo e toda forma de opressão à classe trabalhadora internacional, Wagner Fajardo, afirmou que “o imperialismo é nosso principal inimigo” e que com as vitórias de governos progressistas e de esquerda, após a ascensão de Hugo Chávez, na Venezuela, a região se tornou exemplo para outros países e que é preciso manter as conquistas.

O evento contou ainda com a presença da cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Nélida Hernández Carmona, e do representante do consulado da Venezuela, Robert Torrealba.

A cubana lembrou-se da resistência do país ao imperialismo e celebrou a retomada do diálogo diplomático entre a ilha caribenha e os Estados Unidos. “Eles tiveram que admitir nossa vitória e baixar a cabeça”, assim como Torrealba, que agradeceu a solidariedade à Venezuela.

Os participantes assistiram um vídeo que lembrou a Cúpula dos Povos em Mar del Plata, na Argentina, onde a Alca foi enterrada. A atividade contou com a apresentação musical de Pedro Munhoz e Cícero do Crato e foi encerrada com a degustação de empanadas argentinas.

Participaram do lançamento: Secretaria Operativa ALBA Movimientos – Brasil, CTB, CUT, MST, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), UNE, Central de Movimentos Populares (CMP), Consulta Popular, Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz (CEBRAPAZ), Juventude do PT (JPT- São Paulo), Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Levante Popular da Juventude entre outras. 

Érika Ceconi – Portal CTB 

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