Acordo energético com Brasil impulsiona economia do Paraguai

ASSUNÇÃO, Paraguai – Durante décadas, os paraguaios protestaram a respeito de sua parte do acordo advindo da construção de uma das maiores hidrelétricas do mundo ao longo da fronteira que compartilham com o Brasil, feito durante seu governo de ditadura.

Enquanto o Brasil utilizou a usina de Itaipu para ajudar a desenvolver suas cidades e indústrias, o Paraguai foi forçado a vender o excesso de sua capacidade para o país vizinho a preços preferenciais.

Fernando Lugo, ex-bispo católico que foi eleito presidente do Paraguai no ano passado, prometeu mudar isso, fazendo da renegociação de Itaipu uma de suas plataformas de campanha.

No último sábado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, concordou em triplicar a renda do Paraguai de Itaipu ao permitir que o país venda sua energia ao Brasil a preço de mercado.

O acordo é uma transação enorme para o Paraguai, um dos países mais pobres da América do Sul. Além disso, é um impulso necessário para Lugo, que tem lutado contra a queda no apoio do Congresso e acusações de que gerou várias crianças quando era padre.

Para o Brasil, os cerca de US$ 240 milhões ao ano que concordou em pagar é um preço pequeno diante dos objetivos mais amplos de Lula em acalmar as tensões com seus vizinhos, enquanto reafirma a liderança do país na região e promove a integração regional.

“O Brasil não está interessado em crescer e se desenvolver se seus parceiros não crescerem e se desenvolverem”, disse Lula.

O Brasil há muito rejeitava a possibilidade de renegociação do acordo original da venda de eletricidade de Itaipu. Mas com Honduras em caos e o presidente Hugo Chávez da Venezuela continuando a espalhar sua influência política, Lula tentou administrar o desejo do Brasil de ampliar sua economia enquanto coordena as exigências nacionalistas de seus vizinhos, afirmaram políticos e analistas de risco.

“Todo o hemisfério está em jogo”, disse Riordan Roett, presidente do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade Hopkins. “Os brasileiros vão fazer de tudo para garantir os moderados e a esquerda democrática na América Latina. Eles claramente esperam que Lugo permaneça do lado brasileiro”.

O novo acordo também pede a construção de uma linha de eletricidade de alta capacidade à Assunção. A linha seria completada até 2012.

Lugo disse que a renda adicional financiará programas sociais, incluindo alívio de pobreza, cuidados médicos e nutrição para crianças em idade escolar. Ele espera que a aprimoração da infraestrutura criará empregos e atrairá investimento estrangeiro.

(The New York Times
)

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