A “onda vermelha” desencadeada pelos bombeiros após a ocupação do Quartel Central, na sexta-feira passada, ganhou um novo tom: o azul da Polícia Militar, que aderiu ao movimento na quarta-feira. Representantes de entidades de classe da segurança pública do Rio se reuniram com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, e manifestaram apoio.
Após a reunião, a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, a Associação dos Oficiais Bombeiros, do Clube de Cabos e Soldados da PM e a Associação de Cabos e Soldados Bombeiros anunciaram a criação da Frente Unificada das Entidades de Classe da Segurança Pública. O Sindicato dos Policiais Civis do Estado apoiará o grupo.
O encontro, no Quartel Central, durou cerca de duas horas. Além da unificação da pauta de reivindicações das duas corporações, a frente apresentou a proposta de elevar o piso salarial para R$ 2.900 — valor R$ 900 acima do reivindicado anteriormente pelos bombeiros. Antes mesmo de a adesão dos PMs ser oficializada, mais de cem policiais participaram de uma carreata com bombeiros em Cabo Frio.
Nilo Guerreiro, presidente da Associação de Cabos e Soldados Bombeiros, explicou que a comissão chegou ao mínimo de R$ 2.900 com base na média nacional de pisos da PM e do Corpo de Bombeiros. Hoje, o piso dos bombeiros é R$ 1.198; o dos PMs está em torno de R$ 1.100. “Somos militares como os PMs. Os soldos são os mesmos. Não pode haver diferença. Estamos unidos com um mesmo propósito”, disse Guerreiro.
À noite, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar, negou o relaxamento da prisão de 431 bombeiros que estão presos. Há 439 profissionais presos, mas apenas esses 431 são atendidos pela Defensoria Pública.
Mais apoios
O movimento dos bombeiros do Rio também recebeu a solidariedade de jogadores de futebol e até atores famosos. Um vídeo produzido por Sérgio Marone e divulgado no YouTube mostra a mensagem de um grupo de atores em apoio aos bombeiros do Rio . Com um efeito técnico que deixa as imagens vermelhas, eles pedem a liberdade dos presos e a retomada dos diálogos com o governo.
“Não se sobrevive com um salário de R$ 950 por mês. Apoiamos tudo que os bombeiros fizeram até agora. Queremos e exigimos a liberdade de todos eles. Em nome de um país amado, liberdade para todos”, diz a atriz Cássia Kiss no vídeo.
Já o ator Ary Fontoura pede que o governador Sérgio Cabral retome o diálogo com os militares e chama de “antidemocrática” a prisão dos manifestantes. Participam ainda da gravação os atores Elizabeth Savalla, Mateus Solano e Sergio Marone, que finaliza o vídeo dando apoio aos militares e suas famílias.
Segundo Marone, a ideia do vídeo, que até o início da noite desta quarta-feira já tinha sido visto por mais de 300 pessoas, surgiu por acaso, durante uma conversa entre os colegas. “Todo mundo estava indignado com a situação, principalmente como ela está sendo conduzida, e queríamos uma forma de se manifestar. Então eu peguei a minha máquina de fotos, que estava até descarregada, e eu filmei cada um por cerca de 20, 30 minutos, e depois fiz a pós-produção. Nada foi planejado”, contou o ator.
Outra atriz que mostrou apoio aos militares foi Cissa Guimarães, que postou a seguinte mensagem em sua página do Facebook: “Eu apóio os bombeiros do Rio. Essa não é uma luta só deles. Como cidadão apóio esses heróis”.
Mais cedo, salva-vidas distribuíram fitas vermelhas para os jogadores do Flamengo, que realizavam um treino físico na Praia do Recreio. O técnico Vanderlei Luxemburgo, que também recebeu uma fita, afirmou apoiar as reivindicações: “A prisão dos bombeiros por tanto tempo é uma arbitrariedade do governo. A população reconhece o trabalho e a dedicação que essa categoria tem nas ruas e nas praias. Acho que as reivindicações são justas”, declarou o técnico.
Com agências


