Os 50 nomes de personalidades que serão agraciadas com a Ordem do Mérito Cultural (OMC) deste ano já foram selecionados. A apreciação e a escolha dos indicados foram definidas durante reunião da Comissão Técnica da Ordem, realizada no Ministério da Cultura, em Brasília, nos dias 24 e 26 de agosto. A comissão, constituída por gestores do MinC, avaliou um total de 384 indicações.
Agora, o próximo passo será enviar o parecer para apreciação do Conselho da Ordem do Mérito Cultural, formado pela ministra da Cultura, que o preside, e pelos ministros das Relações Exteriores, da Educação e da Ciência e Tecnologia. O anúncio dos nomes selecionados será feito em meados do mês de setembro.
A Ordem do Mérito Cultural possui três classes: Grã-Cruz, que é a mais alta graduação da Ordem; Comendador e Cavaleiro. Foi criada em 1995 pelo MinC e é o reconhecimento do governo federal a personalidades, grupos artísticos, iniciativas e instituições que se destacaram por suas contribuições à Cultura brasileira.
Neste ano, a cerimônia de condecoração será realizada no dia 9 de novembro, no Teatro Santa Izabel, em Recife (PE). Desde sua criação até hoje, já foram entregues mais de 430 condecorações a personalidades nacionais e estrangeiras.
Homenagem
O tema da OMC 2011 é Pagu – Sonho-Luta-Paixão, homenagem a Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu (1910-1962). Escritora e jornalista, foi musa inspiradora de alguns dos mestres da Semana de Arte Moderna de 1922, como Oswald de Andrade e Raul Bopp, e um dos expoentes do movimento antropofágico brasileiro, cujo berço foi o modernismo.
Pagu, a Moscouzinha Brasileira
As restrições ao pleno exercício do voto feminino só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. No entanto, o código não tornava obrigatório o voto feminino. Apenas o masculino. O voto feminino, sem restrições, só passou a ser obrigatório em 1946. Sempre existiu o preconceito, a tribuna política, tradicionalmente vista como local de debates arraigados de valores patriarcais tem sido aos poucos, conquistado pelas mulheres.
Mas, uma sanjoanense contrariava os preconceitos daqueles tempos militante do ideal e uma das mulheres mais inteligentes e audaciosas do século XX, Patrícia Rehder Galvão, nascida em São João da Boa Vista, ou simplesmente Pagu como era também conhecida.
Pagu desafiava a todos os tradicionalistas que condenavam uma mulher participando da vida política. Seus talentos começaram aflorar cedo, praticamente aos 12 anos, época do grande marco cultural brasileiro. Atuante na Semana de Arte Moderna do movimento modernista, que protestava contra o domínio cultural e artístico estrangeiro, principalmente europeu que se alastrava no Brasil.
Sem desistir da luta e de seus ideais, começou a viajar pelo mundo como correspondente dos jornais “Correio da Manhã”, “Diário de Notícias” e “A Noite”. Ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos Pagu é presa.
Em 1935 é presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, e é repatriada para o Brasil .Pagu esteve no DPOS pelos anos 50, a delegacia já funcionava desde 1924.
O Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) foi o órgão do governo brasileiro criado durante o Estado Novo, cujo objetivo era controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder.
No livro “A Moscouzinha brasileira”, cenários e personagens do cotidiano operário de Santos (1930 – 1954), é retratado um conflito em Santos em 1931 que contou com a participação de Pagu e continha no enredo a morte de um ensacador do porto de Santos.
O dinamismo, sua dedicação a cultura, a defesa de seus ideais mostraram aos incrédulos machistas que a uma mulher poderia e pode participar da vida política.
E a partir de 1946, todas as mulheres de todos os estilos de vida e personalidade, sejam da Pagu, a “Moscouzinha” sanjoanense, até a pacata dona de casa, passaram a ter direitos eleitorais iguais aos homens.
Celso Jardim com informações do MinC


