As centrais sindicais CTB, CUT, UGT, Força Sindical e a Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Norte lançaram na última quarta-feira (14) uma nota de apoio aos trabalhadores da construção civil em greve desde o dia 05, em Belém, no Pará.
Na nota as centrais defedem o direito constitucional de greve dos trabalhaodres e condenam manobras como “interditos probitórios e outros instrumentos coercitivos no movimento sindical, de que se valem os poderosos, junto à Justiça, para enfraquecer os movimentos, as manifestações dos trabalhadores” (Confira a nota ao final).
Desde o dia 5 de setembro, mais de 30 mil trabalhadores na região metropolitana de Belém (que inclui ainda os municípios de Ananindeua e Marituba), estão numa forte greve por melhoria salarial, cesta básica, plano de saúde e 10% das vagas para as mulheres. Eles têm enfrentado a intransigência da patronal na mesa de negociações e do governo estadual.
Diversas passeatas já foram realizadas pelas ruas da cidade, mobilizando mais de 90% da dos trabalhadores do setor.
A categoria apresentou uma contra-proposta aos empresários. Os valores propostos R$ 950 para pedreiros e R$ 670,00 para serventes. Para cesta básica estão reivindicando o valor de R$ 80,00. Os trabalhadores pedem também plano de saúde para a categoria, além de 10% de vagas reservadas para as mulheres.
Atualmente os pedreiros ganham R$ 800,00; serventes, R$ 570,00. Com a proposta dos empresariós, que consiste em 10% de reajuste salarial, esses valores passariam para R$ 880,00 e R$ 630, respectivamente.
Confira na íntegra nota das centrais:
NOTA DE SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES NA CONSTRUÇÃO CIVIL DO ESTADO DO PARÁ
As centrais sindicais do Estado do Pará, CTB, CUT, UGT, Força Sindical e Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Norte vêm, por meio deste instrumento, manifestar nossa solidariedade para com os trabalhadores na indústria da Construção Civil do Estado do Pará, representados por seu sindicato e que estão promovendo um movimento massivo de paralisação.
Pontuamos, neste momento, que a greve é um direito dos trabalhadores, que sempre obtiveram conquistas em função de lutas e de greve não só no Brasil, como em todos os pontos do mundo. Por isso, não podemos, de forma alguma, nos afastar deste instrumento legítimo de luta para que se alcance melhorias não apenas de salários, como também, de trabalho e de segurança para toda a coletividade.
Somos contra o interdito proibitório e outros instrumentos coercitivos no movimento sindical, de que se valem os poderosos, junto à Justiça, para enfraquecer os movimentos, as manifestações dos trabalhadores, e exortamos para que os magistrados observem os abusos, estes sim, cometidos por patrões que visam tão somente o lucro, ainda que este venha sobre o escárnio, sobre o sangue e a vida de trabalhadores, sem se importar com a segurança, equipamentos de proteção no trabalho, acompanhamento médico, alimentação digna etc.
Historicamente, foi através de movimentos dos trabalhadores que se conseguiu, e valendo para todas as categorias, benefícios como o 13º Salário, o FGTS, as Férias entre outros.
Estamos vivendo um momento de grande crescimento econômico no Brasil, sobretudo oriundo da Construção Civil, onde, por exemplo, os patrões têm feito prédios com ganhos de 4, 5 vezes o valor investido; apartamentos com custo unitário de R$ 40 mil são vendidos a R$ 200 mil na planta, com enriquecimento fantástico a esses empresários e que choram, agora, miséria para pagar R$ 1.000 para um trabalhador, como piso da categoria, quando o piso constitucional que os juízos deveriam exigir o cumprimento, com base em dados do DIEESE, seriam R$ 2. 278,77.
Reafirmamos a defesa dos trabalhadores, a luta hoje da Construção Civil, depois, dos professores, trabalhadores em saúde, correios, transportes, bancários etc.
Pela vitória da luta dos trabalhadores,
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
Central Única dos Trabalhadores – CUT
União Geral dos Trabalhadores – UGT,
Força Sindical
Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Norte


