O governo e o comando da PM do Rio decidiram jogar duro com os policiais que resolveram aderir ao movimento grevista deflagrado nesta sexta-feira (10), no Rio de Janeiro. Ao menos 23 policiais já foram presos sob a acusão de recusa de sair às ruas para trabalhar ou por incitar o movimento, segundo o comando da corporação.
Desse total, 14 prisões aconteceram em batalhões localizados na cidade do Rio. Outros nove são de mandados expedidos pela Justiça. Dois policiais ainda não foram presos, e a corporação espera que eles se apresentem.
No início da manhã, delegacias de Volta Redonda e de Barra do Piraí ficaram fechadas, mas voltaram a funcionar por volta das 11h. As patrulhas que resolvem aderir à greve estão decidindo não ir às ruas ou então, saem e se reúnem em um ponto específico.
Os batalhões da região sul do Estado também aderiram ao movimento. Policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) foram enviados à região para garantir a segurança nas cidades. Outra equipe do Batalhão de Choque foi enviada a Campos, no norte fluminense.
A Justiça expediu mandado de prisão contra 11 policiais apontados pela corporação como líderes do movimento, 6 deles lotados no batalhão de Volta Redonda.
Dois se apresentaram no fim da manhã: o major da reserva Helio Oliveira e o cabo João Carlos Gurgel. Além deles, ainda foi detido o coronel Paulo Ricardo Paul.
Desde a noite de quarta-feira (8) o cabo do Corpo de Bombeiros Benevenuto Daciolo está no presídio de segurança máxima de Bangu 1, na zona oeste do Rio. Ele é apontado como responsável por incitar a greve no Rio e em outros Estados.
Às 5h30, um helicóptero chegou ao batalhão de Volta Redonda com o corregedor da PM, o coronel Waldyr Soares Filho. Ele levava os seis mandados de prisão contra os líderes do movimento na região, todos lotados na unidade.

Reivindicações
A estratégia dos militares que participam da greve é a do aquartelamento. Todos os que atuam no policiamento ostensivo, além de inativos e aposentados, foram orientados a iniciar um período de reclusão em seus respectivos batalhões (se possível, na companhia de familiares).
“Estamos organizando um movimento pacífico, no qual os responsáveis pelo policiamento ostensivo, isto é, 70% da corporação, ficarão aquartelados”, afirmou o soldado do 28º BPM (Barra Mansa) Thiago Rodrigues.
Já o cabo do CBMERJ (Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro) Laerte Soares, lotado no 2º Gmar (Grupamento Marítimo da Barra da Tijuca), garantiu que 30% da corporação estarão a postos para qualquer tipo de ocorrência “essencial” ou “perigo eminente da vida” — tais como “desmoronamento, casos de incêndio ou afogamento, recolhimento de cadáveres, entre outros”, explicou.
Além disso, os guarda-vidas atuarão descaracterizados em homenagem à prisão do cabo Benevenuto Daciolo, líder do movimento S.O.S Bombeiros, preso na noite de quarta-feira (8). “Não vamos usar a farda do Estado para lembrar o absurdo que ocorreu com a prisão ilegal do Daciolo”, disse.
As principais reivindicações unificadas dos grevistas são: piso salarial de R$ 3.500, auxílio-alimentação na ordem de R$ 350 (e fim dos ranchos nos quartéis), e uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. Os militares aceitam uma carga horária maior do que a reivindicada, desde que o governo do Estado pague hora extra.
O governo já descartou o piso de R$ 3.500 e mandou um projeto de lei sobre o reajuste aos deputados, que o aprovaram nesta quinta-feira. O projeto define que todas as 11 parcelas do aumento previsto para este ano (0,915% mensal) serão aplicadas já neste mês. Até fevereiro de 2013, isto é, em um período de um ano, o somatório do reajuste escalonado será de 39%, e o piso salarial chegará a R$ 2.077 –considerando o adicional do auxílio-moradia (R$ 551,36). Policiais civis e agentes penitenciários não recebem tal benefício.

Portal CTB com agências


