No próximo domingo (12), completam dois anos de um incidente que marcou a história de Caxias do Sul (RS) e das lutas dos trabalhadores. Contudo, até hoje ninguém foi responsabilizado pela repressão policial que chocou a cidade e repercutiu nacionalmente.
Conforme o advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região, Eduardo Campos, o inquérito militar foi arquivado pelo Ministério Público (MP), a pedido do comando da BM e o inquérito civil, embora esteja aberto, também não teve movimentação nos últimos meses. Apresentamos provas (vídeos e fotos) das agressões aos trabalhadores, mas a Brigada as recusou e ficou apenas com as imagens encaminhadas pela empresa (Randon), então em vez de investigação fizeram uma peça de defesa”. No dia do incidente, 12 trabalhadores registraram ocorrência policial pela agressão sofrida, mas muitos outros também ficaram feridos durante a manifestação.
O incidente ocorreu quando trabalhadores da Randon e sindicalistas foram agredidos e presos ao fazerem uma assembleia na frente da empresa Randon, após 14 dias de paralisação, na qual reivindicavam um acordo para revisão dos valores do PPR (Programa de Participação nos Lucros). Apesar das agressões sofridas, os trabalhadores e seus representantes conquistaram o que reivindicavam. Para o presidente do Sindicato, Assis Melo, o 12 de fevereiro é uma data emblemática para os trabalhadores. “Marcou a disponibilidade e a solidariedade da categoria na luta por uma participação nos lucros mais justa. Foi uma batalha sem precedentes, que esperamos que não se repita nunca mais”.
A implantação do Programa de Participação nos Resultados nas empresas caxienses é uma das bandeiras do Sindicato dos Metalúrgicos. A entidade defende a divisão linear e não proporcional, que só beneficia a quem tem os maiores salários, pois trata-se de um direito dos trabalhadores, garantido na Constituição. Contudo, Caxias do Sul tem índices de PPR muito baixos se comparados com outros estados brasileiros. Algumas empresas sequer dividem os lucros com os trabalhadores.
Fonte: Claiton Stumpf – Sindmetal Caxias do Sul


