A paralisação dos sapateiros de Franca (400 km de São Paulo) deve continuar nesta quinta-feira (28). Segundo o sindicato da categoria, 6.000 funcionários de dez empresas aderiram à paralisação nos dois primeiros dias de greve, que começou na última terça-feira (26).
O movimento foi motivado após a categoria ter recusado proposta do Sindifranca (representante das indústrias da cidade), que ofereceu 7,13% de aumento salarial na semana passada. Os sapateiros pedem reajuste mínimo de 10% do atual piso — R$ 752.
Na manhã da quarta-feira (27), a indústria apresentou uma nova proposta de reajuste, de 7,5%, mas os trabalhadores a recusaram novamente. “As empresas que paralisaram já chegaram a oferecer de 8,5% a 9,5% de reajuste. Mas não iremos parar enquanto não chegarmos aos 10%”, afirma Fábio Cândido, presidente do sindicato da categoria.
Nesta quinta-feira, os grevistas visitam as fábricas nos jardins Paulistano e Guanabara para atrair mais trabalhadores ao movimento. Desde o primeiro dia, a greve dos sapateiros foi considerada vitoriosa pelo líder da categoria Fábio Cândido. Quatro fábricas do Distrito Industrial e uma do Jardim Paulistano foram totalmente paralisadas. Segundo o Sindicato, foram paralisadas as produções de Calçados Free Way/Tobogan, Tarragona, Stival, Pipper e Tenny Wee.
Na maioria os sapateiros nem chegaram a entrar e em outras, como no Calçados Pipper, os trabalhadores cruzaram os braços dentro do galpão da empresa.
Numa das indústrias, em menos de duas horas de movimento os trabalhadores já receberam proposta de reajuste acima do proposto pelo sindicato patronal. Também foram comunicadas ao Sindicato, paralisações em fábricas menores nas duas regiões, mas o número de trabalhadores parados não foi medido pela entidade.
Entenda a greve
A greve dos sapateiros que foi decretada por tempo indeterminado começou nas primeiras horas da manhã desta terça-feira. As quatro empresas que não trabalharam no Distrito Industrial têm em média 400 funcionários cada. Os funcionários decidiram aderir ao movimento e não houve tumulto, confirmando a proposta de uma manifestação pacífica e propositiva, disposta a receber uma nova proposta dos patrões. “Os sapateiros mostraram sua disposição de paralisar as atividades e reivindicar um aumento digno para a categoria”, comentou Fábio Cândido.
Uma das fábricas localizadas no Distrito Industrial, cujos operários cruzaram os braços, chegou a ofertar reajuste de 8,5% aos trabalhadores, por volta de 9h da manhã, mas a maioria dos funcionários não acatou e decidiu continuar parada até que se chegue aos 10% pretendidos para toda a categoria.
O Sindicato está disposto a seguir com o movimento até que uma negociação franca e aberta seja proposta pelos patrões. “Estamos aguardando uma proposta oficial e séria”, disse o sindicalista.
Enquanto isso não acontece, a promessa é de que a mobilização para mais adesões ocorra pela manhã e na hora do almoço nas principais indústrias do Distrito e do Jardim Paulistano.
A proposta final oficial do sindicato patronal é repasse da inflação (de INPC: 6,63%); aumento real de apenas 0,50%, totalizando 7,13% de reajuste. O Piso Salarial seria elevado de R$ 751,50 para R$ 805,00. O pagamento da Participação nos Lucros e Resultados – PLR – ficaria no mesmo valor/hora do ano passado (94 horas em duas parcelas).
O Abono Escolar seria reajustado nos mesmos 7,13% sobre R$ 183,25, sendo elevado para R$ 196,32 (os patrões se negam a pagá-lo em dinheiro). O mesmo percentual inflacionário seria utilizado para correção do Seguro de Vida que é pago pela empresa.
Portal CTB com agências


