Sindicomerciários considera proposta patronal uma afronta aos trabalhadores de Caxias do Sul

Na primeira reunião de negociação do dissídio 2013 com o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sindigêneros), o presidente do Sindicomerciários (Sindicato dos Comerciários de Caxias do Sul), Sílvio Frasson, considerou uma afronta a proposta dos patrões que, além de tentar reduzir benefícios já conquistados pelos trabalhadores em dissídios anteriores, ofereceram um reajuste de apenas 6,97%.

Há um mês o Sindicomerciários apresentou a pauta de reivindicações com 74 cláusulas sociais e uma proposta de reajuste de 12% ao Sindigêneros. Para chegar aos 12%, foram levados em conta números do IBGE que indicaram crescimento de 8,4% no setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo em 2012. Segundo Ricardo Franzoi, economista do  Dieese (Departamento Intersindical de Estatisticas e Estudos Socioeconômicos) presente na negociação, a Fecomércio também estima um crescimento de 5 a 6% no comércio em 2013. “Além dos bons números apresentados, também houve benefícios concedidos pelo governo às empresas, como a redução do IPI, a redução da energia elétrica e a desoneração da folha de pagamento. Além disso, haverá queda da inflação no segundo semestre deste ano.” O economista também citou a redução do valor da passagem do transporte público municipal como um custo a menos para as empresas.

Mesmo com  todos os dados apontando para o crescimento do setor, os patrões não querem atender as reivindicações da categoria. O presidente do Sindigêneros, Jorge Salvador, reivindicou a retirada de alguns direitos, entre eles, vai limitar a um o quinquênio, aumentar o intervalo de três para quatro horas entre os turnos, continuar exigindo o trabalho nos feriados (exceto 1º de maio, Natal e 1º de janeiro), retirar  o pagamento de quebra de caixa, compensar o banco de horas em 60 dias (e não mais em 30) e diminuir o auxílio creche de seis para quatro anos.

O presidente Sílvio Frasson ficou revoltado com o posicionamento do Sindigêneros. “Esta proposta é uma afronta. Vamos apresentar uma nova proposta, mas já adianto que não vamos negociar o trabalho nos feriados, porque os trabalhadores vêm até nós para dizer que preferem o descanso a ganhar prêmio, e também não vamos mais aceitar banco de horas. Os trabalhadores estão virando escravos. Essa exigência de quatro horas de intervalo faz com que os trabalhadores fiquem 12 horas por dia disponíveis para a empresa. Isso é judiar do povo”, desabafou.

Ainda não foi definida uma data para nova negociação. Na próxima terça-feira, 23 de julho, terão início as negociações do dissídio com o Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul, o Sindilojas.

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