Absenteísmo como expressão da violência de gênero

A violência praticada contra as mulheres no ambiente familiar é das mais cruéis e está relacionada a fatores culturais, sendo “mais frequente em países de uma prevalecente cultura masculina e menor em culturas que buscam soluções igualitárias para as diferenças de gênero”, segundo a feminista Eva Alterman Blay. As agressões contra a mulher trazem consequências graves para a vítima e constituem uma das principais formas de violação dos direitos humanos.  É um problema para a sociedade como um todo, porque compromete o desenvolvimento saudável da família e das relações de trabalho.

As marcas não decorrem apenas de um tipo da violência. A vítima na maioria das vezes é dependente psicológica, econômica e afetivamente do agressor, o que faz com que dificilmente consiga se desvencilhar dos maus tratos sofridos. Além dessas dependências, merecem consideração as questões relacionadas aos filhos e ao trabalho.

A violência doméstica é uma violação dos direitos humanos da mulher, com repercussão na possibilidade dos filhos reproduzirem  a violência ou apresentarem problemas de ordem psicológica. Existem ainda as consequências econômicas: a produtividade no trabalho das mulheres vitimadas tende a cair drasticamente, muitas tendem a se afastar temporariamente do ambiente de trabalho por problemas emocionais e outros fatores. O receio de se expor a constrangimento público, a baixa autoestima e a vergonha das marcas no corpo são outros fenômenos do absenteísmo de gênero no trabalho.

Segundo Saffioti e Almeida, os dados mundiais revelam que a violência contra a mulher praticada em diferentes países, atinge grande parte da população feminina, tanto adulta quanto infantil. Para uma melhor visualização dessa realidade, o Banco Mundial estima que 01 (um) em cada 05 (cinco) dias de absenteísmo no trabalho feminino decorre da violência doméstica. Na América Latina, a violência doméstica incide sobre 25% a 50% das mulheres e seus custos são da ordem de 14,2% do PIB, cerca de US$ 168 bilhões.

Assim, a redução, prevenção e ou eliminação de práticas de violência familiar e de gênero devem fazer parte de políticas públicas a serem organizadas e executadas pelo Estado, com a participação da sociedade e das organizações sociais e produtivas.  Porque a cada quatro minutos, uma mulher é agredida no Brasil, sendo que em 85,5% dos casos de violência física contra mulheres os agressores são seus parceiros.  Faz-se, portanto, necessário que o movimento sindical passe a relacionar em suas pautas de reivindicação com as empresas, medidas de enfrentamento a esse problema.


 

Ivania Pereira é secretária da Mulher Trabalhadora da CTB

 

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