Chile: Assassinos de Victor Jara ainda não foram punidos

Nesta segunda-feira (16) completa-se 40 anos do assassinato de um dos maiores compositores do Chile, Victor Lidio Jara Martínez, nascido em 28 de setembro de 1932 e morto em 16 de setembro de 1973, oito dias antes de completar 41 anos de idade. 

Denunciar a morte de Victor Jara é denunciar a ditadura chilena. Além de militante do Partido Comunista do Chile e um dos mais importantes nomes da Nueva Canción Chilena, movimento que gerou uma revolução na música popular de seu país durante o governo socialista de Salvador Allende, Jara foi professor de jornalismo na Universidade do Chile, diretor de teatro, poeta, cantor, compositor e músico.

O músico foi preso na universidade pela ditadura e levado ao Estádio Chile, onde se encontravam outros militantes políticos presos pelos golpistas do 11 de setembro de 1973 e foi assassinado cinco dias depois com nada menos do que 44 tiros depois de ter os dedos das mãos quebrados a coronhadas e barbaramente torturado. Seu corpo foi largado em uma favela de Santiago, a capital do Chile.

Tamanha violência transformou Victor Jara em um dos mais importantes símbolos de resistência à ditadura em seu país. Tanto que o Estádio do Chile recebeu se nome em 2003. Ele teve participação ativa na campanha da Unidade Popular, frente de esquerda que elegeu Allende em 1970 e naqueles anos teve grande militância com os movimentos sociais, contra a guerra e o fascismo. Também integrou o Comitê Central das Juventudes Comunistas do Chile.

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Filho de camponeses pobres, seu pai abandonou a família e sua mãe Amanda Martínez, cantora de música folclórica, levou a família para a capital e criou os cinco filhos sozinha. Foi forte influência para a formação artística de seu filho mais famoso que em 1957 ficou amigo da cantora Violeta Parra, a mais famosa do país. Tornou-se uma das principais vozes a levar para a sua arte as lutas dos trabalhadores para superar suas mazelas e com isso conquistar um Chile mais justo e igual.

Recentemente, o tenente do exército chileno Pedro Barrientos Núñez, que comandou a tortura e o assassinato de Jara, foi encontrado em Deltona, no estado da Flórida, nos Estados Unidos trabalhando com vendedor de automóveis. Descobriu-se que ele mudou em 1989 para os EUA e tratou de adquirir cidadania norte-americana para fugir de julgamentos pelos crimes cometidos em seu país de origem.

A família de Victor Jara entrou com processo para o tirano ser julgado nos EUA sob a acusação de ter torturado pessoalmente o músico e de ter sido o autor dos 44 tiros que vararam o corpo do artista preso pelos militares.

A ação foi encaminhada em nome da viúva e de suas duas filhas pelo Centro de Justiça e Responsabilidade, de São Francisco, baseada na Lei de Proteção a Vítimas de Torturas. Sancionada em 1991, essa legislação federal permite que cidadãos residentes nos Estados Unidos sejam processados em território norte-americano quando suspeitos de violações de direitos humanos em outros países.

Manifiesto (Victor Jara) 

 

 Por Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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