Sergipanos festejam chegada de médicos cubanos

Ao som de Guantanamera, tocada por uma charanga, 11 médicos, dos quais nove cubanos e duas médicas brasileiras que estudaram em Cuba e na Espanha, desembarcaram este final de semana em Aracaju, Sergipe.

O grupo foi calorosamente recepcionado por integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe (CTB-SE), CUT, do Movimento Popular de Saúde (Mops), MST, Sindicatos dos Bancários, dos Servidores da Universidade Federal de Sergipe, dos partidos políticos PC do B e PT, UJS, Levante Popular da Juventude, entre outros.

Portanto faixas e cartazes, eles deram as boas-vindas aos médicos que aderiram ao Programa Mais Médicos, do Governo Federal, no Aeroporto Santa Maria. O médico cubano Rodolfo García disse que ficou emocionado com a recepção organizada pelo povo e que pretende retribuir o carinho dos sergipanos trabalhando pela saúde deles.

“Sergipe “arrasou”. Eu já trabalhei no Brasil e, realmente, é muito emocionante. Uma coisa muito bonita. Nós achamos que o povo do Brasil é um povo muito carinhoso, mas o Nordeste, especialmente Sergipe, é especial. Eu agradeço em nome da delegação cubana. A verdade é que vocês são excepcionais. Muito obrigado”, afirmou.

Irmãos

Assim como todos os demais, Rodolfo se incorpora às equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) ainda esta semana. “Para onde formos deslocados, faremos tudo para que o trabalho fique bonito. Acho que é muito legal dar conhecimento para o mundo que Cuba e o Brasil são irmãos e que nós podemos trabalhar juntos”, salientou.

A chegada dos médicos foi comemorada por todos os sergipanos que lotaram o aeroporto para receber os integrantes do Mais Médicos. Para Edival Góes, presidente da CTB/SE, o programa do Governo Federal abre um debate com a sociedade sobre a saúde pública no país. 

“Os médicos cubanos estão vindo para melhorar um pouco e não para resolver o problema da saúde que é complexo, antigo. Acho que ainda vai demorar muito para a população se apoderar mais dessa discussão e cobrar melhorias nos serviços públicos. De qualquer forma, esses médicos trazem um alento muito grande, principalmente para as populações carentes que passam dois, três meses para marcar uma consulta”, salientou.

sergipe cubanos

Alternativa

Edival defendeu o projeto da presidente Dilma Rousseff, mas considerou que a população deve estar atenta e cobrar mais dos médicos, dos gestores e do próprio governo para que o Brasil tenha uma saúde pública de qualidade. José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários, ressaltou que os médicos cubanos chegaram para ajudar o povo sergipano a ter acesso a mais médicos e mais saúde.

“Essa foi a festa do povo trabalhador, que veio ao aeroporto recepcionar os médicos cubanos e brasileiros. Eles vêm reforçar a assistência médica num momento decisivo no país. Em julho, o povo brasileiro foi às ruas pedindo mais saúde e mais educação, e essa é a resposta do Governo Federal que criou o Mais Médicos para completar a cota de profissionais nas unidades de saúde”, enfatizou.

O deputado estadual João Daniel, PT, liderança do MST em Sergipe, avaliou como positiva a vinda de médicos cubanos e brasileiros que estudaram no Exterior para reforçar as equipes do PSF. “É a única alternativa e a única possibilidade de fazer com que os assentados e acampados tenham acesso à saúde pública”, afirmou.

Solidariedade

O parlamentar ressaltou ainda que o Programa Mais Médicos pode levar dignidade para a população trabalhadora que vive, principalmente, no Interior. “Conhecemos os problemas da saúde, e a questão é muito grave. Nós queremos apoiar, ajudar e contribuir no sentido de que tenhamos um grande programa de saúde preventiva que ajude a mudar essa realidade em nosso país”, disse. Dalva Graça, do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), considerou a vinda os médicos extremamente importante.

“Nós atuamos nas periferias e, realmente, há falta de médicos. Os que estão nos postos trabalham em outros lugares e ocasionam um déficit. Além disso, o fato de Cuba mandar médicos também tem um símbolo muito importante, porque os países socialistas e comunistas acreditam numa mudança da sociedade. Eles trazem saúde para cá e não bomba e guerra”, salientou. Andrey Lemos, da Unegro, lembrou que os médicos cubanos são irmãos latino-americanos. “Temos que nos solidarizar com os problemas relacionados à saúde na América Latina”, disse.

Ao todo, o Estado já recebeu 29 médicos do Programa. A partir desta sexta-feira, 20, eles se incorporam às equipes do PSF de Aracaju e de Gararu, Poço Redondo, Nossa Senhora das Dores, Umbaúba, Arauá, São Cristóvão.

Fonte: CTB-SE

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