Bancos fogem do ato do MP contra assédio moral em Sergipe

Em Aracaju, o Ministério Público do Trabalho (MPT) reproduziu na noite da última quinta-feira (24), o ato político contra o assédio moral nas relações de trabalho nos estabelecimentos bancários. Os bancários e bancárias para o MPT são as maiores vítimas desse fenômeno.

Em todo o País, o MPT lança a cartilha sobre o tema e busca parcerias com sindicatos e patrões do setor financeiro. O MPT quer ajudar a sociedade a identificar, construir provas, reprimir e prevenir o assédio moral. Esse assédio vertical das administrações contra os trabalhadores ou entre colegas de trabalho (o assédio horizontal) traz mazelas que vão desde depressões, aposentadorias precoces à fobia ao trabalho.

Presenças e ausências

Em Sergipe dois movimentos marcaram o ato do MPT: de um lado, a presença volumosa e comprometida dos diretores do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) e da representação regional da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe. Do outro, ficou deselegante as ausências dos donos de bancos privados (Bradesco, Mercantil, Santander, Itaú/Unibanco e HSBC) e das representações sergipanas da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. Dos convidados, apenas o Banco do Estado de Sergipe (Banese) e o Banco do Nordeste (BNB) mandaram representantes.

Debelar o assédio

A mesa solene do ato público foi formada pelo procurador do MPT/SE, Ricardo Carneiro; a representante do SEEB/SE, Ivânia Pereira e a representante do Banese, Maria Avilete Ramalho. O evento contou ainda com representações da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), comerciários, auditores fiscais do Trabalho, corretores, operadores do Direito e jornalistas.

“Esse assédio é imoral. Em virtude da grande incidência e a partir da experiência do próprio MPT, sabemos que as categorias que mais sofrem com o assédio moral são a do comércio, bancos e instituições de créditos. E dessas as principais vítimas são os bancários. O assédio moral nas instituições financeiras ilustra as nossas estatísticas. Queremos minimizar esses números que levam a dor e a angustia. O assédio moral subverte o caráter do trabalho, que em vez de trazer orgulho e satisfação, está adoecendo essa categoria. Muitos bancários desenvolvem fobia à atividade bancária”, assegurou. No encerramento do debate, o procurador-chefe do MPT/SE, Raimundo Lima Ribeiro, afirmou que “a prática de assédio moral é grave e reputa a atos nazistas”.

Parceria

Ivânia Pereira parabenizou a iniciativa do MPT e destacou problemas para bancários em denunciar assédio moral, por dificuldades na caracterização e ou na construção de provas. “Estaremos ao lado do MPT para estabelecer parcerias para implementarmos em Sergipe políticas preventivas capazes de esclarecer e conscientizar a sociedade sobre os males provocados pelo assédio moral”, afirmou Ivânia Pereira.

Das causas do assédio moral sobre a saúde dos bancários e bancárias, a sindicalista destacou as metas abusivas nos bancos. Ivânia Pereira também relembrou o resultado da Consulta Nacional dos Bancários 2013. “Em Sergipe, a consulta revelou algo estarrecedor. Dos entrevistados, 29,9% dos bancários e bancárias afirmaram ter se afastado do trabalho por motivo de saúde, outros 22,7% afirmaram estar usando medicamentos controlados”

Fonte: Seeb-SE