Com debates sobre tecnologia, regulação das plataformas e a aprovação da Carta São Paulo, o evento reuniu mais de 140 participantes e cerca de 20 palestrantes, consolidando-se como o maior encontro de comunicação sindical do país.
O segundo dia do 4º Encontro Nacional da Rede de Comunicação da CTB reuniu comunicadores sindicais, dirigentes e especialistas para discutir os desafios da comunicação no cenário digital, o papel das tecnologias emergentes e as estratégias para fortalecer a disputa de narrativas em defesa da classe trabalhadora. A programação contou com mesas sobre geopolítica da tecnologia, democratização da comunicação e o uso da inteligência artificial na mobilização social, além de uma oficina prática de produção de vídeo pelo celular.
O evento reuniu mais de 140 sindicalistas, comunicadores e dirigentes de diversas regiões do país e contou com a participação de mais de 20 especialistas, dirigentes e convidados que debateram os principais desafios da comunicação na organização e na luta da classe trabalhadora, além de estratégias para fortalecer a disputa de narrativas no ambiente digital e ampliar o alcance da comunicação sindical.
A primeira mesa, “Comunicação, tecnologia e geopolítica”, contou com a participação de Ergon Cugler de Moraes Silva, pesquisador do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), e de Camila Modanez. Durante o debate, Ergon destacou o poder crescente das grandes empresas de tecnologia e os impactos desse domínio na política, na economia e na produção de conhecimento.
Segundo ele, as chamadas big techs concentram diferentes formas de poder que ultrapassam o campo da comunicação.
“Hoje estamos lidando com empresas que acumulam poder econômico, político, burocrático, cognitivo e até militar. As cinco maiores empresas de tecnologia somam cerca de 13 trilhões de dólares em valor de mercado, um montante maior que o PIB de muitos países”, afirmou.
O pesquisador também criticou a narrativa de que os grandes empresários da tecnologia teriam surgido apenas a partir da genialidade individual.
“Existe o chamado ‘mito da garagem’, que tenta fazer acreditar que qualquer pessoa pode se tornar bilionária apenas com esforço individual. Mas, quando analisamos a história dessas empresas, vemos que muitas cresceram com apoio público, heranças familiares ou apropriação de trabalhos coletivos”, explicou.
Na sequência, a mesa “Democratização da comunicação e regulação das plataformas” reuniu o deputado federal Orlando Silva, Caroline Beraldo Evangelista, Hector Batista e Leonardo Rodrigues Echevarria.
Durante sua intervenção, Orlando Silva destacou que o debate sobre comunicação precisa voltar ao centro da agenda política brasileira. Para ele, apesar de avanços sociais importantes nas últimas décadas, o país avançou pouco no enfrentamento da concentração dos meios de comunicação.
“O tema da comunicação é central na luta política e social. Há muitos anos denunciamos o monopólio dos meios de comunicação por algumas poucas famílias. Isso sempre revelou a consciência da importância de garantir acesso à informação para o conjunto da classe trabalhadora”, afirmou.
O parlamentar também ressaltou que a disputa política contemporânea passa diretamente pelas plataformas digitais e pela produção de conteúdo.
“Hoje qualquer trabalhador, em qualquer lugar, pega o celular nos poucos segundos livres que tem. Muitas vezes consome conteúdos produzidos pela extrema direita. Isso mostra a potência desse ambiente digital e a importância de os sindicatos fortalecerem sua comunicação para dialogar com a realidade da classe trabalhadora”, disse.
Já Carol Beraldo, secretária de Juventude do PCdoB São Paulo e secretária de Organização do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), reforçou a necessidade de organização das entidades sindicais também no campo da comunicação.
“O debate da comunicação hoje não se dá apenas na disputa de narrativas nas redes, mas também na própria disputa eleitoral. Em um ano eleitoral, é essencial que as entidades e os sindicatos estejam organizados para enfrentar o poder das big techs e avançar na regulamentação das plataformas”, destacou.
A programação seguiu com a mesa “Inteligência artificial na mobilização dos movimentos sociais”, com participação de Raul Amorim, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Anderson Guahy e Marina Valente Marins Camara.
Durante a atividade, Marina apresentou reflexões e ferramentas sobre o uso da inteligência artificial na comunicação dos movimentos sociais, destacando como essas tecnologias podem ser utilizadas para ampliar o alcance das mensagens, fortalecer a mobilização digital e organizar melhor a produção de conteúdo nas redes.
O debate também abordou as possibilidades de uso da inteligência artificial para fortalecer a comunicação popular. Para Anderson Guahy, secretário de imprensa do Sintaema e diretor da CTB, a tecnologia pode ajudar a ampliar o alcance das pautas do movimento sindical.
“A questão é como utilizar a inteligência artificial para favorecer esse processo, acelerar e também segmentar melhor dentro do nosso plano de comunicação. Isso pode fortalecer as alianças entre os movimentos sociais e preparar nossa atuação para os desafios do período eleitoral”, afirmou.
Segundo ele, também é fundamental organizar coletivamente o trabalho de comunicação nas entidades. “Precisamos organizar um coletivo para que todas as páginas dos sindicatos participem dessa disputa nas redes. Cada militante pode ajudar a difundir as informações e fortalecer nossa presença digital”, completou.
Encerrando a programação do dia, os participantes acompanharam a oficina prática de produção e edição de vídeo pelo celular, ministrada por Henrique Negreiros. A atividade apresentou técnicas básicas de captação de imagem, edição e publicação de conteúdos audiovisuais voltados para redes sociais, com foco em ampliar a capacidade de produção dos comunicadores sindicais.
O segundo dia também marcou o encerramento do 4º Encontro Nacional da Rede de Comunicação da CTB, realizado nos dias 12 e 13 de março, em São Paulo, que reuniu cerca de 140 sindicalistas, especialistas e profissionais da área de comunicação.
Ao final do encontro, os participantes aprovaram a Carta de São Paulo, documento que sintetiza os principais encaminhamentos do evento e reafirma o compromisso de fortalecer a Rede CTB como referência na comunicação sindical no país.
Entre os pontos destacados na carta está a necessidade de ampliar a presença da central nos meios digitais e físicos, modernizar a produção de conteúdo e garantir maior protagonismo da CTB nas disputas políticas e sociais do próximo período. O documento também aponta a importância de organizar uma rede orgânica e colaborativa de comunicação, capaz de integrar sindicatos, federações e militantes na produção e difusão de informações.
Outro encaminhamento aprovado foi a proposta de criação de um comitê executivo da Rede CTB, sob coordenação da Secretaria Nacional de Imprensa e Comunicação, com o objetivo de fortalecer a articulação nacional da rede e impulsionar novas iniciativas de formação e produção de conteúdo.
O encontro também reforçou a necessidade de modernizar a infraestrutura de comunicação da central, ampliar parcerias com veículos progressistas e intensificar a realização de oficinas de formação para dirigentes e profissionais da área.
Como continuidade desse processo, foi anunciada a realização de um Seminário de Comunicação da CTB, previsto para julho, em Porto Alegre (RS), dando sequência ao fortalecimento da rede nacional de comunicação da central.
Todas as fotos do encontro sairão posteriormente no flicker da CTB.
Confira a carta São Paulo na íntegra.
CARTA DE SÃO PAULO (4 Encontro da Rede CTB)


