DNA golpista: como a Globo construiu uma história de manipulação política no Brasil

Por Adilson Araújo, presidente da CTB
Diante da repercussão negativa ao PowerPoint relacionado ao escândalo do Banco Master, em que manipula descaradamente os fatos com o propósito de incriminar e desmoralizar o presidente Lula em crimes que não cometeu, a TV Globo achou por bem fazer uma autocrítica e pedir desculpas através da jornalista Andrea Sadi.

O material divulgado “estava errado e incompleto”, confessou a funcionária da emissora. Foi um mea culpa temperado com cinismo e hipocrisia que só convence quem é tolo.

Convém citar, a este respeito, um lema levantado recorrentemente em manifestações populares em relação ao grupo, através de faixas e bandeiras: “O povo não é bobo: Fora Rede Globo”.

Quem manda

Ao analisar o episódio é fundamental compreender que no topo da cadeia de comando deste poderoso meio de comunicação situa-se um Clã bilionário da alta burguesia brasileira: a família Marinho, cuja fortuna em 2025 foi estimada em US$ 9 bilhões (ou cerca de R$ 51 bilhões) pela revista Forbes.

A linha editorial da rede é determinada pelos privilegiados membros do Clã. Os jornalistas são bem pagos, mas não têm liberdade e autonomia de opinião.

Quem sai dos contornos e limites editoriais definidos pelos patrões, como o valente e competente Chico Pinheiro, é advertido e descartado. Alardeando praticar um jornalismo sério, objetivo e imparcial, a rede na prática faz o contrário e se orienta por posições políticas invariavelmente reacionárias, parciais e falaciosas.

Lembremos alguns fatos:

Regime militar – A TV Globo nasceu e cresceu à sombra do regime militar e a ele foi fiel até o minuto final. Chegou ao ponto de ditorcer o noticiário sobre a primeira grande manifestação das Diretas Já em São Paulo apresentando-a como festa de comemoração do aniversário da cidade.

Precisamente 49 anos depois do golpe militar de 1964, no dia 31 de agosto de 2013, o jornal O Globo pediu esfarrapadas desculpas pelo apoio ao regime em um editorial intitulado “Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”, lamentando também a manipulação dos fatos na cobertura do primeiro comício das Diretas Já na capital paulista. Inês já era morta.

Caso Proconsult – Durante as eleições estaduais de 1982 no Rio de Janeiro, a Rede Globo promoveu em conluio com a empresa Proconsult uma tentativa de fraudar a eleição para evitar a vitória de Leonel Brizola (PDT) ao governo do estado, favorecendo o candidato da ditadura militar, Moreira Franco (PDS). Brizola denunciou o fato à mídia internacional e impediu a consumação da fraude.

Debate Lula-Collor – Em 1999, a Globo manipulou o último debate televiso do segundo turno da eleição presidencial entre Lula e Collor para prejudicar o líder petista e favorecer o ex-governador alagoano.

Lava jato e golpe de 2016 – Também é do amplo conhecimento público, a íntima cumplicidade da emissora com o Lawfare batizada de Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro, que agiu como um agente dos EUA e hoje devia estar preso pelos crimes que cometeu contra o povo brasileiro. A Lava Jato abriu caminho para o golpe do capital contra o trabalho em 2016, a prisão de Lula e a eleição do fascista Jair Bolsonaro, a quem Moro serviu como ministro da Justiça.

Esses são apenas alguns exemplos que não deixam margens a dúvidas sobre o caráter de classe e a natureza perversa deste influente veículo de comunicação e seus donos.

Ódio de classes

O que orienta a linha editorial da Rede Globo (refletindo o sentimento, as ideias e os interesses da rica família Marinho) é um profundo ódio de classes que no frigir dos ovos tem por alvo não apenas Lula e o PT, mas o povo brasileiro.

Um ódio que se explica não só pela origem operária do presidente Lula e do partido que criou, mas principalmente pelas políticas favoráveis aos mais pobres, e em particular aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, como é o caso da política de valorização do salário mínimo, do programa Minha Casa, Minha Vida e do firme apoio presidencial ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada de trabalho sem redução de salários.

A Rede Globo tem um DNA golpista e é surpreendente que, embora isso seja notório, muita gente boa do campo popular e democrático, ainda se deixe levar pelo canto de sereia entoado por seus donos e inúmeros lacaios.

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