CIA e M16 por trás do golpe de 1953
O Irã tem um histórico secular de vigorosa resistência e luta contra o imperialismo. Em 1953, depois de iniciar uma experiência de democracia inédita no Oriente Médio, sob a liderança do primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh, o país foi vítima de um golpe de Estado patrocinado conjuntamente pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos e da Inglaterra (CIA e M16).
Antes de ser deposto, o democrata Mossaddegh nacionalizou as vastas reservas de petróleo britânicas no Irã e inicialmente teve o sinal verde da Casa Branca para levar à frente seu projeto nacionalista.
Na sequência do golpe, as duas potências imperialistas instalaram um governo fantoche em Teerã, sob a regência de um ditator monarquista, o xá Reza Pahlav.
Petróleo saqueado
O petróleo irariano foi retomado pelo imperialismo e, desta vez, convenientemente repartido entre as multinacionais inglesas e estadunidenses.
Porém, para decepção dos imperialistas, em 1979 sobreveio a insurreição irariana que devolveu ao pó a monarquia imposta pelos EUA e Inglaterra e instalou a república islãmica, que a mídia do Ocidente designa pejorativamente de “regime dos aiatolás”.
Goste-se ou não do governo irariano, o fato indiscutível é que ele defende com muita coragem e sabedoria a soberania do povo pérsia sobre o território irariano e suas ricas minas de petróleo, que são na verdade o principal alvo das ambições imperialistas.
Apesar das contradições e da oposição, o sentimento patriótico falou mais alto para desilusão do megalomaníaco que hoje chefia a Casa Branca e seu parceiro no crime, o genocida Benjamin Netanyahu, contra o qual o Tribunal Penal Internacional (TPI) expediu mandados de prisão em 21 de novembro de 2024.
Tiro no pé
Os bombardeios criminosos, que vitimaram centenas de crianças em Teerã, funcionaram como um tiro no pé, como sugere recente reportagem da CNN intitulada “Irarianos se manifestam a favor do governo e rejeitam ameacas de Trump”, da qual transcrevemos os trechos abaixos:
Milhares de pessoas se reuniram em Teerã, capital do Irã, na segunda-feira (13) em apoio ao governo iraniano e contra o bloqueio do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos.
Zahra, uma dona de salão de beleza de 32 anos que participava do protesto, descartou as ameaças do presidente americano, Donald Trump, como vazias, observando que avisos anteriores não haviam sido cumpridos.
Promessas vazias
“Ele disse que atacaria nossas usinas de energia e nossa infraestrutura, e até mesmo tomaria uma de nossas ilhas, mas nada disso aconteceu”, declarou ela. “São apenas promessas vazias. Não temos medo de suas ameaças”, continuou.
O presidente Donald Trump anunciou na segunda-feira (13) que as forças armadas dos EUA iniciaram um bloqueio aos navios que saem dos portos iranianos, e Teerã ameaçou retaliar contra os portos de seus vizinhos do Golfo após o fracasso das negociações do fim de semana em Islamabad, capital do Paquistão, sobre o fim da guerra.
Um oficial americano afirmou que o diálogo com o Irã continua e que há progresso nas tentativas de chegar a um acordo. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também disse que os esforços para resolver o conflito seguem em frente.
Foto: Reprodução Reuters


