A política de segurança pública no estado de São Paulo atravessa um momento crítico sob o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Dados recentes apontam que, entre 2022 e 2026, houve um aumento de 93,2% nas mortes decorrentes de ações policiais, evidenciando uma escalada da violência que atinge diretamente a população trabalhadora, especialmente nas periferias.
“A política de segurança pública em São Paulo precisa servir para proteger a vida da classe trabalhadora, e não aprofundar a violência e a desigualdade”, afirma Rene Vicente, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).
Para Benedito Mariano, ex-ouvidor das polícias paulistas e coordenador do núcleo de Segurança Pública da Democracia do IREE, o cenário configura uma das piores crises já enfrentadas pelo estado. Segundo ele, a ampliação da letalidade policial reflete uma política baseada na repressão, sem planejamento consistente e com graves consequências sociais.
“As operações na Baixada Santista, que resultaram em dezenas de mortes, tiveram características de vingança, o que é inadmissível em um Estado democrático de direito”, afirma Mariano, ressaltando que esse tipo de ação penaliza principalmente a juventude trabalhadora e negra.
Além da violência policial, o especialista aponta problemas estruturais, como o avanço do crime organizado, denúncias de corrupção nas corporações e a instabilidade na gestão da segurança. Ele destaca que o então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, promoveu mudanças bruscas nos comandos da Polícia Militar, comprometendo a continuidade de políticas públicas.
Outro ponto crítico é o sucateamento da Polícia Civil. Atualmente, o estado conta com cerca de 25 mil agentes, número bem inferior aos 36 mil existentes nos anos 1990, apesar do crescimento populacional. A precarização das estruturas impacta diretamente a capacidade investigativa e a elucidação de crimes, o que contribui para a sensação de insegurança vivida pelos trabalhadores.
A situação é ainda mais grave quando se analisa a violência contra as mulheres. O aumento dos casos de feminicídio expõe a falta de políticas preventivas e a insuficiência de atendimento especializado. Mais de 80% das delegacias de defesa da mulher não funcionam à noite ou nos fins de semana, justamente nos períodos de maior incidência de violência.
Para o movimento sindical, esse modelo de segurança pública reforça desigualdades e não enfrenta as causas estruturais da violência. A ausência de investimentos em políticas sociais, emprego, educação e prevenção agrava o cenário e penaliza a classe trabalhadora, que é a principal vítima tanto da criminalidade quanto da violência estatal.
Mariano também defende a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de um sistema nacional articulado, com maior coordenação e foco em políticas integradas. Segundo ele, a criação de um Ministério da Segurança Pública pode ser um passo importante para reorganizar o setor e superar o modelo fragmentado atual.
A CTB-SP reforça que segurança pública não pode ser tratada apenas como caso de polícia. É necessário um projeto que coloque a vida, os direitos e a dignidade da classe trabalhadora no centro das políticas públicas, com investimento em prevenção, valorização dos profissionais da área e combate às desigualdades sociais. Com informações do Brasil de Fato.


