Mais de 138 anos após a assinatura da Lei Áurea, o 13 de Maio permanece como uma data de reflexão, denúncia e fortalecimento da luta por igualdade racial no Brasil. Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a data simboliza não a celebração de uma liberdade plena, mas a continuidade da resistência do povo negro diante das desigualdades estruturais que ainda marcam profundamente a sociedade brasileira.
Embora a abolição formal da escravidão, em 1888, tenha encerrado juridicamente mais de três séculos de exploração, ela não foi acompanhada de políticas que garantissem dignidade, inclusão social ou reparação à população negra. Sem acesso à terra, moradia, educação e trabalho digno, milhões de negros e negras foram abandonados pelo Estado e submetidos a novas formas de exclusão que se perpetuam até hoje.
Os impactos dessa dívida histórica seguem evidentes no mundo do trabalho. A população negra continua sendo maioria entre os trabalhadores submetidos aos menores salários, à informalidade, às jornadas exaustivas e às formas mais precarizadas de emprego. Também enfrenta de maneira desproporcional a violência, a falta de acesso a direitos básicos e as barreiras à ascensão social.
Para a CTB, enfrentar o racismo estrutural passa necessariamente pela luta sindical e pela defesa de políticas públicas capazes de reparar injustiças históricas. Nesse contexto, ganha destaque a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2024, que propõe a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial. Relatada pelo deputado federal Orlando Silva, a proposta prevê investimentos permanentes em áreas como educação, saúde, cultura, inclusão social e geração de oportunidades para a população negra.
A central sindical também reforça que pautas como o combate à precarização das relações de trabalho, a valorização salarial e a luta pelo fim da escala 6×1 fazem parte do enfrentamento ao racismo, já que atingem diretamente a maioria negra da classe trabalhadora brasileira.
Ao lembrar trajetórias de resistência de lideranças históricas como Zumbi dos Palmares, Dandara, Tereza de Benguela e Luísa Mahin, a CTB destaca que a luta antirracista é parte inseparável da construção de um projeto de país mais justo, democrático e igualitário.
Mais do que recordar um capítulo da história, o 13 de Maio deve servir como chamado à ação. Para a CTB, não existe justiça social sem combate ao racismo, nem democracia plena enquanto persistirem desigualdades construídas sobre séculos de exploração.
A verdadeira abolição ainda é uma tarefa em aberto — e sua concretização depende da organização popular, da mobilização sindical e do compromisso coletivo com a reparação histórica e a igualdade racial.


