A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou nesta terça-feira (26) de mais uma importante etapa do debate sobre o fim da escala 6×1, em sessão realizada no plenário 2 da Câmara dos Deputados, em Brasília. O encontro reuniu centrais sindicais, movimentos sociais, parlamentares e representantes da classe trabalhadora para dar continuidade à mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho.
Representando a CTB, o presidente nacional da entidade, Adilson Araújo, teve destaque no debate ao reafirmar a importância histórica da pauta e defender que a redução da jornada é uma medida urgente para enfrentar o adoecimento e a precarização do trabalho no Brasil.
“Essa luta pela redução da jornada de trabalho é parte de uma luta multissecular e, sem sombra de dúvidas, é o melhor remédio para a humanização do trabalho”, afirmou Adilson, ao iniciar sua fala saudando parlamentares e lideranças que vêm fortalecendo o debate no Congresso Nacional.
Durante a sessão, o presidente da CTB ressaltou que a mudança na jornada de trabalho é uma resposta concreta à realidade enfrentada diariamente pela classe trabalhadora, marcada por exaustão física e mental, baixos salários e aumento dos acidentes laborais.
“O que reduzir a jornada de trabalho significa é enfrentar o problema da exaustão física e mental, enfrentar a precarização e o adoecimento. Nós não podemos perder 4% do nosso PIB com o ônus do adoecimento. Registros do Ministério do Trabalho computam mais de 800 mil casos em 2025”, destacou.
Adilson também chamou atenção para os números alarmantes relacionados à saúde e segurança no ambiente laboral.
“É razoável que, em pleno século XXI, o Brasil seja o segundo país do G20 em número de acidentes de trabalho e o terceiro com maior registro de acidentes no mundo? Isso desrespeita uma necessidade imperativa.”
Ao defender o fim da escala 6×1 e a adoção da jornada 5×2, o dirigente destacou que a sociedade brasileira já demonstra amplo apoio à mudança.
“Se o clamor da sociedade indica, em 70%, que chegou o momento, por que não abrir os ouvidos para aquilo que reclama a população? O baixo rendimento e a precarização do trabalho levam à exaustão e à fadiga.”
O presidente da CTB também apontou experiências internacionais e estudos que reforçam os impactos positivos da redução da jornada, tanto para os trabalhadores quanto para a economia.
“A França reduziu para 35 horas e gerou milhares de empregos. Estudo da Unicamp indica que, no Brasil, essa mudança pode gerar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho. Estamos diante de uma das maiores conquistas possíveis deste primeiro quarto do século XXI”, concluiu.
A participação da CTB na sessão reafirma o compromisso da Central com a campanha nacional pelo fim da escala 6×1 e pela construção de um modelo de trabalho mais justo, saudável e compatível com as necessidades da classe trabalhadora.


