Por: Adilson Araújo
A aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) que acaba com a desumana escala 6×1 e reduz para 40 horas semanais a jornada de trabalho sem redução de salários pela Câmara Federal constitui uma vitória histórica e estratégica da classe trabalhadora e do movimento sindical brasileiro.
É preciso lembrar que a CTB foi pioneira nesta luta. Já em novembro de 2023, a resolução política do 4º Conselho Nacional da nossa central classista apontava a necessidade de realizar, ao lado das outras centrais, uma campanha nacional pela redução da jornada de trabalho a 40 horas semanais sem redução de salários.
Conquista civilizatória
O direito a usufruir ao menos dois dias de folga na semana traduz uma conquista civilizatória que colocará o Brasil em linha com nações mais desenvolvidas.
O catastrofismo alardeado por alguns líderes empresariais não tem base na realidade e contraria não só o diagnóstico de muitos especialistas como também a experiência histórica.
Bem estar e produtividade
Sem nenhuma exceção, os países que praticam uma jornada de trabalho menor e mais humana contam com uma força de trabalho mais saudável e produtiva. Produzem relativamente mais e remuneram melhor seus trabalhadores.
As estatísticas sugerem que temos hoje no Brasil uma classe trabalhadora doente: 70% dos trabalhadores e trabalhadoras relataram casos de estresse no ambiente de trabalho; 30% têm burnout. O número de acidentes de trabalho é alarmante: 806 mil em 2025. Jornadas extenuantes estão entre as principais causas da tragédia.
O fim da escala 6×1 vai diminuir os índices chocantes de adoecimento e acidentes. A produtividade do trabalho tende a aumentar sensivelmente e o absenteísmo a cair com o maior bem estar dos trabalhadores.
A luta continua
Mas, a luta não acabou. A batalha em torno do tempo de trabalho e de vida de dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras é agora no Senado, que deve votar em dois turnos a PEC aprovada pelos deputados.
O movimento sindical deve continuar conscientizando e mobilizando suas bases ao mesmo tempo em que dialoga com os parlamentares e pressiona o Senado para que a proposta seja apreciada, votada e aprovada com toda urgência.


