O primeiro dia do 7º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB reuniu nesta sexta-feira (29), em São Paulo, lideranças sindicais, representantes de movimentos sociais, entidades nacionais e internacionais e mulheres trabalhadoras de diversas categorias para debater os desafios da organização feminina diante das transformações do mundo do trabalho e da conjuntura política nacional e internacional.
A mesa de abertura contou com a participação de Kátia Branco, secretária da mulher trabalhadora da CTB, Adilson Araújo, presidente da CTB; Rosa de Souza, presidenta da CTB Bahia e secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB; Vânia Marques Pinto, representando a CONTAG; Cecília de Fátima Rodrigues, representando os marítimos e marítimas; Nádia Campeão, representando o PCdoB; Sandra Rodrigues da Silva, representante do Movimento de Defesa dos Servidores; Geogina, representante do SSB; Eremi Melo, da Federação Sindical Mundial (FSM-UIS Metal); Rene Vicente, presidente da CTB São Paulo; e Ivania Pereira, representando a Secretaria-Geral da Presidência da República.
Homenagem à militante Raquel Felau Guisoni
Um dos momentos mais emocionantes do encontro foi a aprovação da proposta para que esta edição do evento receba o nome da professora e militante sindical Raquel Felau Guisoni, falecida em 2023.
Presença constante nas lutas do movimento sindical, junto ao Sintaema e à CTB, Raquel dedicou sua vida à defesa dos direitos da classe trabalhadora, da democracia, da justiça social e da emancipação das mulheres. Aos 82 anos, deixou um legado de resistência e compromisso com as causas populares.
Reconhecida como um dos símbolos da resistência à Ditadura Militar em Santa Catarina, Raquel integrou, nos anos 1960, a organização Ação Popular, ligada à ala progressista da Igreja Católica, mantendo durante toda a sua trajetória o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Solidariedade internacional e combate às desigualdades
Representando a CTB São Paulo, Rene Vicente destacou a necessidade de fortalecer a luta contra a concentração de renda e as desigualdades sociais. Em sua intervenção, denunciou o genocídio contra o povo palestino em Gaza e criticou a omissão das grandes potências diante da tragédia humanitária.
René também chamou atenção para a concentração da riqueza mundial e defendeu a taxação das grandes fortunas como instrumento para ampliar investimentos em saúde, educação, moradia e políticas públicas voltadas à população trabalhadora.
O dirigente ainda ressaltou a importância das lutas em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1, reforçando a necessidade de eleger representantes comprometidos com os interesses da classe trabalhadora.
Participação popular fortalece a democracia
Representando a Secretaria-Geral da Presidência da República, Ivania Pereira destacou a retomada dos espaços de participação social durante o governo do presidente Lula.
Segundo ela, já foram realizadas 29 conferências nacionais, mobilizando milhões de brasileiros e brasileiras na elaboração de políticas públicas. Ivania ressaltou que a participação popular é um elemento fundamental para o fortalecimento da democracia e para aproximar o governo das necessidades reais da população.
“Não existe democracia sem ouvir as pessoas”, afirmou.
Mulheres nos espaços de poder
Representando o Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa destacou a importância da organização das mulheres sindicalistas e a necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão política e institucional.
Ela lembrou que a ministra das Mulheres cumpria agenda internacional representando o Brasil em debates sobre igualdade de gênero e enfrentamento ao avanço de pautas conservadoras.
Eutália ressaltou que a luta pela paridade de gênero continua sendo um dos principais desafios para as mulheres brasileiras, tanto nos governos quanto nas entidades sindicais e movimentos sociais.
Convenção 151 e valorização do serviço público
A dirigente Sandra Rodrigues da Silva destacou a importância da regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do direito à negociação coletiva dos servidores públicos.
Ela defendeu a aprovação do projeto que regulamenta a convenção no Brasil e ressaltou que a medida permitirá relações mais democráticas entre trabalhadores e gestores públicos.
Sandra também celebrou o avanço da participação feminina na direção sindical e lembrou sua trajetória como a primeira mulher a ocupar a tesouraria da CTB no Rio de Janeiro.
Vitória da luta trabalhista
A presidenta da CTB Bahia e secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, Rosa de Souza, fez uma análise da conjuntura política e destacou a recente aprovação da proposta que prevê o fim da escala 6×1 como uma importante vitória da classe trabalhadora.
Rosa criticou a atuação da extrema direita contra os direitos sociais e trabalhistas e lembrou que a retomada da democracia possibilitou a reconstrução da autoestima e da capacidade de mobilização do povo brasileiro.
Ela destacou ainda o papel fundamental das mulheres na construção das lutas sindicais e sociais e reafirmou a necessidade de ampliar a participação feminina nos espaços de direção e decisão.
Cuba e o protagonismo das mulheres
A cônsul de Cuba participou da abertura do encontro e apresentou dados sobre os avanços das mulheres cubanas nas áreas da educação, ciência, saúde e administração pública.
Ela destacou que a Revolução Cubana permitiu ampliar significativamente a participação feminina na sociedade e denunciou os impactos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.
A diplomata também ressaltou o papel das mulheres como protagonistas do desenvolvimento social e econômico do país.
Mulheres metalúrgicas e resistência
Representando a FSM-UIS Metal, Eremi Melo destacou os desafios enfrentados pelas mulheres metalúrgicas, ainda minoria em um setor historicamente marcado pela predominância masculina.
Ela ressaltou a importância de ocupar espaços de liderança para abrir caminhos para novas gerações e relembrou a resistência das mulheres durante os períodos mais difíceis enfrentados pela classe trabalhadora nos últimos anos.
Resgate histórico da Secretaria da Mulher Trabalhadora
A programação da tarde contou com a realização da Mesa 2, que debateu o tema “Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora: resgate histórico, desafios e perspectivas”.
Coordenada por Lenir Piloneto, secretária adjunta da Mulher da CTB, a atividade reuniu Abigail Pereira, Raimunda Gomes, Ivania Pereira e Celina Areas.
O debate resgatou a trajetória de organização das mulheres na Central, os avanços conquistados ao longo dos anos e os desafios colocados para ampliar a participação feminina no movimento sindical e nas lutas sociais.
Programação continua neste sábado
O encontro será encerrado neste sábado (30) com uma programação dedicada à discussão do papel das mulheres no atual mundo do trabalho, na política e na ciência.
Entre os destaques estão a participação de Eutália Barbosa, representando a ministra das Mulheres; da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; da deputada federal Daiana Santos (PCdoB); e da coordenadora de pesquisas do DIEESE, Patrícia Pelatieri.
Também serão realizados debates sobre o papel do Fórum Nacional das Mulheres das Centrais Sindicais, a construção de um projeto nacional para as mulheres urbanas, rurais e do mar, além da apresentação da resolução política final do 7º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB.
A programação será encerrada às 18h30, seguida de confraternização na Casa da Classe Trabalhadora, sede nacional da CTB.


