O 7º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB foi encerrado neste sábado (30) com a aprovação da resolução final que orientará as ações e lutas das mulheres trabalhadoras da Central em todo o país. Após dois dias de intensos debates, troca de experiências e construção coletiva, dirigentes sindicais, lideranças sociais e representantes de diversas categorias reafirmaram o compromisso com a igualdade de direitos, o combate à violência contra as mulheres, o fim da escala 6×1, a valorização do trabalho e a ampliação da participação feminina nos espaços de poder.
“Encerramos este 7º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB com um sentimento de profunda gratidão e esperança. Agradeço a cada mulher que participou, contribuiu com os debates e compartilhou sua experiência de luta, fortalecendo este espaço de construção coletiva. Foram dias de muito diálogo, aprendizado e unidade, que reafirmaram a força das mulheres trabalhadoras na defesa de direitos e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Saímos deste encontro ainda mais mobilizadas para enfrentar os desafios que estão colocados, lutar pelo fim das desigualdades, pela valorização do trabalho, pela ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder e por uma vida livre de violência. A resolução aprovada expressa a voz das mulheres de todo o Brasil e será nosso guia para seguir avançando nas conquistas da classe trabalhadora”, avaliou Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.
Com o tema “Mulheres construindo um outro mundo com as mulheres urbanas, rurais e do mar”, a mesa de encerramento reuniu a presidenta da CONTAG, Vânia Marques Pinto, a diretora do Sindmar, Cecília de Fátima Rodrigues, além das secretárias nacionais da CTB Raimunda Leone de Jesus e Jhay Lopes Ferreira. Também participaram virtualmente a deputada federal Daiana Santos e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. A ministra das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues, também integrou os debates.
Durante sua intervenção, Vânia Marques destacou que a luta das mulheres está diretamente ligada à construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
“A sociedade que queremos construir é uma sociedade socialista, livre das desigualdades, do patriarcado e do racismo. Queremos igualdade de direitos e oportunidades, participação nos espaços de poder e autonomia sobre nossos próprios corpos e nossas vidas”, afirmou.
A dirigente também chamou atenção para a realidade das mulheres do campo, das águas e das florestas, que enfrentam dificuldades históricas de acesso à terra, ao crédito, à assistência técnica e aos espaços de decisão.
Representando a Secretaria Adjunta de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da CTB, Raimunda Leone ressaltou a importância de enfrentar simultaneamente o machismo, o racismo e a desigualdade social.
“Falar sobre as mulheres é falar também sobre racismo e sobre a violência cotidiana que afeta principalmente as mulheres negras. O sindicalismo tem um papel fundamental na construção de mecanismos capazes de enfrentar essas desigualdades de forma coletiva”, destacou.
Já a secretária de Gênero e Diversidade da CTB, Jhay Lopes Ferreira, reforçou a necessidade de ampliar o debate sobre diversidade dentro do movimento sindical.
“Quando falamos em construir um outro mundo com as mulheres, precisamos incluir também as mulheres LGBTQIAPN+. Nossos sindicatos também são formados por lésbicas, bissexuais, mulheres trans e tantas outras identidades que precisam estar representadas e respeitadas”, afirmou.
Mulheres do mar e a conquista de direitos
Representando as trabalhadoras marítimas, Cecília de Fátima Rodrigues destacou os avanços conquistados pela organização sindical da categoria, especialmente na ampliação da participação feminina na navegação e na garantia de direitos para as trabalhadoras gestantes.
Segundo ela, uma das principais conquistas foi a inclusão da cláusula da marítima gestante nos acordos coletivos, assegurando que as trabalhadoras possam ser desembarcadas e permaneçam durante toda a gestação com remuneração integral e proteção de seus direitos.
Avanços nas políticas para as mulheres
A ministra das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues, apresentou um panorama das ações desenvolvidas pelo governo federal e destacou a atualização do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), que deverá ser lançado ainda este ano.
“Estamos construindo as bases de um Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres, fortalecendo mecanismos de financiamento, controle social e garantia de direitos. Também avançamos na Política Nacional de Cuidados e seguimos vigilantes na defesa da Lei da Igualdade Salarial”, afirmou.
Eutália destacou ainda que a violência contra as mulheres está ligada às desigualdades estruturais e à falta de autonomia econômica, reforçando a necessidade de ampliar a participação feminina na vida política, econômica e sindical.
Fim da escala 6×1 mobiliza participantes
Um dos temas mais debatidos durante o encontro foi a luta pelo fim da escala 6×1. Em participação virtual, a deputada federal Daiana Santos celebrou a recente aprovação da proposta na Câmara dos Deputados e defendeu a continuidade da mobilização para sua aprovação definitiva.
“Tempo e qualidade de vida são direitos. Essa luta ganhou o apoio de milhares de brasileiros porque fala da vida real de quem acorda cedo, enfrenta longas jornadas e chega em casa sem energia para conviver com a família. Celebramos essa conquista, mas sabemos que ainda há muito a avançar”, afirmou.
Ciência, tecnologia e igualdade
Também em participação virtual, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou os desafios enfrentados pelas mulheres na produção científica e tecnológica, apesar de serem maioria no ensino superior e na pós-graduação.
“As mulheres estudam, produzem conhecimento e se qualificam, mas ainda enfrentam barreiras para chegar aos espaços de liderança. Precisamos garantir acesso, permanência e ascensão das mulheres na ciência, na tecnologia e na inovação”, ressaltou.
Segundo a ministra, o governo federal já investiu cerca de R$ 1,7 bilhão em ações voltadas para meninas e mulheres na ciência, incluindo programas de incentivo à participação feminina em áreas estratégicas como engenharia, computação, inteligência artificial e tecnologias digitais.
Resolução orientará a luta das mulheres da CTB
Ao final do encontro, as participantes aprovaram a resolução final do 7º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB. O documento reafirma o compromisso da Central com a defesa dos direitos das mulheres, o enfrentamento às desigualdades, a valorização do trabalho, a igualdade salarial, o combate à violência de gênero e a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão.
A resolução completa será disponibilizada em breve no site da CTB e servirá como referência para a atuação das mulheres trabalhadoras da Central em todo o Brasil.
*mais fotos em breve no flickr da CTB
Por: Lívia Abreu


