A mesa “Desafios do Mundo em Transformação”, realizada nesta terça-feira (17) durante a Assembleia dos Povos do Mundo – “O Mundo Novo: América Latina e a Construção do Futuro Compartilhado”, reuniu lideranças sindicais, intelectuais e representantes de movimentos sociais para analisar os principais desafios políticos, econômicos e sociais enfrentados pelos povos da América Latina e do mundo diante das profundas transformações da conjuntura internacional.
O presidente da CTB, Adilson Araújo, fez uma análise crítica do cenário político brasileiro após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016. Segundo ele, o país passou a vivenciar um processo de retirada de direitos e enfraquecimento das conquistas sociais garantidas pela Constituição.
“Considero que, com a instauração do golpe de 2016, que tomou de assalto o mandato da presidenta Dilma Rousseff, nós passamos a assistir um processo agudo de involução civilizatória”, afirmou. Para Adilson, medidas como a reforma trabalhista, a ampliação da terceirização e a reforma da Previdência fazem parte de uma agenda voltada à submissão do Estado aos interesses do mercado financeiro.
A professora e pesquisadora Barbara Carine trouxe para o debate uma reflexão sobre os impactos da colonialidade na formação do pensamento ocidental e das relações sociais contemporâneas. Em sua intervenção, destacou que as estruturas de poder foram construídas a partir de dicotomias hierarquizadas que reproduzem desigualdades.
“O mito da colonialidade também são as dicotomias hierárquicas, que estão tão fortemente presentes na sociedade. Negro e branco, homem e mulher, rico e pobre são algumas dessas dicotomias. O Ocidente produziu um modo de pensar hierarquizado e dicotomizante”, destacou.
A dirigente da União da Juventude Socialista (UJS), Amanda Yumi, alertou para os riscos enfrentados pela América Latina diante do avanço das forças conservadoras e da crescente interferência externa na região. Segundo ela, o continente vive um momento que exige unidade e fortalecimento dos processos de integração regional.
“Precisamos reconhecer que hoje a América Latina não está em disputa. Hoje a América Latina está em risco”, afirmou. Amanda ressaltou ainda a importância da solidariedade entre os povos latino-americanos e chamou atenção para as ameaças à soberania de diversos países da região.
Representando a Secretaria de Relações Internacionais da CTB, Nivaldo Santana abordou a polarização política global e seus reflexos no Brasil. Para ele, o cenário nacional expressa, com características próprias, a disputa entre projetos antagônicos que marcam a conjuntura internacional.
“No debate que temos realizado dentro da CTB, caracterizamos a conjuntura brasileira como uma espécie de reprodução, com suas singularidades, da grande polarização que existe hoje no mundo, entre o campo democrático e popular, que defende a justiça social e o desenvolvimento compartilhado, e o campo liderado pela extrema direita”, afirmou.
As intervenções reforçaram a necessidade de fortalecer a luta pela democracia, pela soberania dos povos, pela integração latino-americana e por um modelo de desenvolvimento comprometido com a justiça social. A mesa integrou a programação da Assembleia dos Povos do Mundo, espaço que reúne lideranças políticas, sindicais, acadêmicas e movimentos sociais de diversos países para debater alternativas aos desafios contemporâneos e construir caminhos para um futuro compartilhado.


