Luta antirracista ganha destaque na Assembleia dos Povos do Mundo

A luta contra o racismo e a defesa da igualdade racial ocuparam lugar de destaque na programação da Assembleia dos Povos do Mundo, realizada nos dias 16 e 17 de junho, em Salvador. Reunindo representantes de diversos países, culturas e etnias, o encontro promoveu o painel “Geopolítica e a contemporaneidade da luta antirracista”, que debateu os desafios atuais e as perspectivas para o enfrentamento das desigualdades raciais em escala global.

A mesa contou com a participação da escritora Bárbara Carine, do representante da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (SEPROMI), Flávio Franco, da presidenta da UNEGRO, Marina Duarte, e do jornalista Nikita Anisomov. A mediação ficou a cargo da atriz, cantora, comunicóloga, ativista e pesquisadora afro-brasileira Ayana Amorim.

Ao abrir os debates, Ayana destacou a importância de compreender as raízes históricas do racismo para enfrentar os desafios do presente.

“Compreender a formação histórica do racismo é fundamental para enfrentar as desigualdades existentes. É essencial reconhecer o papel das políticas públicas, da educação, da cultura e dos movimentos sociais na construção de uma sociedade mais democrática, inclusiva e comprometida com a justiça racial”, afirmou.

Racismo estrutural e formação da sociedade brasileira

Durante sua intervenção, Bárbara Carine refletiu sobre o processo de formação do Brasil e os impactos duradouros da escravidão e da hierarquização racial na sociedade contemporânea.

“Prevaleceu a lógica da hierarquia racial, onde a desumanização dos africanos e seus descendentes foi o alicerce da formação das relações sociais e econômicas do nosso país, cujos efeitos permanecem presentes na sociedade brasileira”, observou.

As discussões ressaltaram que o racismo continua sendo um dos principais obstáculos à construção de sociedades mais democráticas e igualitárias, exigindo ações articuladas entre governos, instituições e movimentos sociais.

Cooperação internacional e fortalecimento das lutas

Para a presidenta da UNEGRO, Marina Duarte, a realização do debate em Salvador reforçou o papel estratégico da cidade e dos movimentos populares na produção de conhecimento e na formulação de alternativas para o futuro.

“Reafirmamos que o nosso território é lugar de produção de saber, ciência e estratégias políticas potentes. Discutir o futuro com mentes tão brilhantes é oxigenar a luta e renovar o compromisso com uma sociedade mais justa, sustentável e digna para o nosso povo. Salvador se consolidou nestes dias como o centro do pensamento crítico mundial”, destacou.

Os participantes defenderam ainda o fortalecimento das articulações entre os povos do Sul Global e a ampliação das redes de cooperação internacional como instrumentos fundamentais para o combate ao racismo, à exclusão social e às desigualdades históricas.

Democracia, direitos humanos e diversidade

Ao longo do painel, ficou evidente o consenso de que a luta antirracista deve ocupar posição central nos debates sobre democracia, direitos humanos e desenvolvimento. As intervenções apontaram para a necessidade de construir políticas que promovam inclusão, valorizem a diversidade cultural dos povos e garantam oportunidades iguais para todos.

O debate reafirmou que a construção de um futuro compartilhado para a América Latina e para o mundo passa, necessariamente, pelo enfrentamento das desigualdades raciais e pelo reconhecimento da diversidade como elemento essencial para o desenvolvimento social, econômico e humano.

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