CTB reúne representantes de 21 países na Cúpula Pública Mundial da América Latina em Salvador

Salvador (BA) sediou, nos dias 16 e 17 de junho de 2026, a Cúpula Pública Mundial: América Latina, organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) em parceria com entidades internacionais. O encontro teve como tema “Novo Mundo: A América Latina na Construção de um Futuro Comum” e reuniu representantes de 21 países entre lideranças sindicais, acadêmicas, políticas, culturais, juvenis e da sociedade civil.

A realização da cúpula foi apresentada pelos organizadores como uma etapa estratégica no fortalecimento do diálogo internacional e na construção de iniciativas voltadas à cooperação entre os povos, à soberania das nações e à promoção da justiça social. O evento também integra o processo preparatório para a Segunda Assembleia Pública Mundial, prevista para setembro de 2026, em Moscou.

Abertura e participação da CTB

A cerimônia de abertura contou com a participação do presidente da CTB, Adilson Araújo, que recepcionou delegações nacionais e internacionais e destacou a importância do encontro como espaço de articulação entre movimentos sociais e organizações de diferentes países.

A abertura também contou com a presença de autoridades, parlamentares, diplomatas e representantes de instituições internacionais. Entre os destaques culturais esteve a apresentação do grupo afro-brasileiro Malê DeBalê, símbolo da cultura popular da Bahia.

Mensagem internacional e destaque da diplomacia popular

Durante o evento, o secretário-geral da Assembleia dos Povos do Mundo, Andrey Belyaninov, participou por vídeo com uma mensagem dirigida aos participantes da cúpula.

Em sua fala, ele destacou o contexto histórico da América Latina e a importância da cooperação entre os povos:

“O Brasil é um dos maiores países do mundo, com uma população expressiva, vasto território e uma cultura singular. A América do Sul viveu diferentes formas de colonialismo, além da escravidão e de outros processos que oprimiram os povos. Hoje, ninguém deseja a repetição do neocolonialismo. Todos falam de liberdade, de viver em paz, de bondade, harmonia e felicidade. É muito simbólico que estejamos reunidos em Salvador, a primeira capital do Brasil. Tenho certeza de que os participantes poderão expressar ideias que contribuam para a nossa unidade — a unidade da consciência e do pensamento humano. A diplomacia popular e da amizade demonstra claramente que as pessoas querem viver sem conflitos e sem decisões equivocadas de políticos que, muitas vezes, priorizam seus próprios interesses em detrimento dos povos.”

A mensagem foi recebida como um dos principais pronunciamentos da abertura do encontro, reforçando o papel da diplomacia popular como instrumento de aproximação entre países e sociedades civis.

Autoridades e delegações internacionais

A cúpula contou com a participação de diversas autoridades e convidados internacionais, entre eles:

  • Raimunda Monteiro, executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República (CDESS);
  • Oscar Andrade Layane, senador da República Oriental do Uruguai;
  • Alexey Labetsky, embaixador da Federação Russa no Brasil (participação por vídeo);
  • Andrey Andreyev, embaixador da República de Belarus no Brasil;
  • Paulo Niemeyer, arquiteto e presidente do Instituto Niemeyer;
  • Aleixo Belov, navegador e velejador brasileiro.

A presença da delegação russa foi destacada no contexto das discussões sobre cooperação internacional e fortalecimento do diálogo entre diferentes regiões do mundo, especialmente no âmbito da construção de uma ordem multipolar.

Plenária central e debates

A sessão plenária “América Latina e a formação do mundo contemporâneo: ideias, cultura e legado” foi o principal eixo de debates da programação. O encontro discutiu o papel estratégico da América Latina na configuração do cenário internacional contemporâneo.

Entre os temas abordados estiveram:

  • O papel da América Latina na construção de um mundo multipolar;
  • Cultura, identidade e patrimônio histórico da região;
  • Juventude e renovação política e social;
  • Modelos de desenvolvimento baseados na cooperação e na justiça social;
  • Desafios econômicos e sociais do continente.

A moderação ficou a cargo do jornalista e membro da Câmara Pública da Federação Russa, Nikita Anisimov, que também atua como conselheiro da Assembleia dos Povos do Mundo.

Participação de especialistas e representantes internacionais

Entre os palestrantes estiveram:

  • Fidel Antonio Castro-Smirnov (Cuba), acadêmico da Academia de Ciências de Cuba e professor da Universidade de Havana;
  • Bispo Leonid, da Diocese Argentina e Sul-Americana;
  • Lidia Mikheeva, secretária da Câmara Pública da Federação Russa;
  • Asmik Kosyan, representante da Rosatom na América Latina;
  • Alexander Ageev, diretor-geral do Instituto Internacional de Pesquisa em Problemas de Gestão e membro do Clube de Roma.

Durante o evento, também foi exibida uma mensagem em vídeo de Svetlana Smirnova, presidente do Conselho Geral da Assembleia dos Povos do Mundo, que abordou os desafios globais contemporâneos e a importância da construção de valores comuns.

Mensagem de Svetlana Smirnova

Em sua fala, Smirnova destacou que o mundo vive um período de transformações profundas, marcado simultaneamente por maior interdependência global e por novas divisões internacionais.

Ela ressaltou o papel da diplomacia entre os povos e apresentou a temática da Segunda Assembleia Pública Mundial, que ocorrerá em Moscou em 2026:

“Vivemos em uma época de profundas mudanças. A confiança entre os Estados começa com a confiança entre as pessoas, entre as sociedades, entre as culturas e entre as gerações. A Segunda Assembleia Pública Mundial terá como tema ‘Novo Mundo – Valores que Unem’. Acreditamos que valores como dignidade humana, justiça, solidariedade, confiança e respeito à diversidade cultural são fundamentais para a construção de um futuro comum.”

Declaração de Salvador

Ao final da cúpula, foi anunciada a aprovação da Declaração de Salvador, documento que sintetiza os principais consensos do encontro.

A declaração reafirma princípios como solidariedade, confiança, respeito mútuo e responsabilidade compartilhada, além de destacar o papel da América Latina na construção de um futuro mais justo e cooperativo.

O texto também servirá como contribuição para os debates da Segunda Assembleia Pública Mundial.

Encerramento e próximos passos

A programação do segundo dia incluiu painéis sobre desenvolvimento econômico e justiça social, soberania cultural, direitos dos povos indígenas, igualdade de gênero, combate ao racismo e futuro da classe trabalhadora.

O evento foi encerrado com a consolidação das propostas debatidas e a entrega do prêmio “Líder da Diplomacia Pública” na América Latina.

Para a CTB, a realização da cúpula em Salvador reforçou o papel do Brasil como espaço de articulação internacional e destacou a importância do diálogo entre povos na construção de alternativas de desenvolvimento baseadas na justiça social, soberania e cooperação global.

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