Quaest mostra derretimento de Flávio Bolsonaro

Por Altamiro Borges

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) confirma o bom momento vivido pelo presidente Lula e o derretimento de Flávio Bolsonaro, o candidato da extrema-direita nativa. Na pergunta espontânea, que é mais consistente, 26% afirmam que irão votar no atual mandatário – alta de três pontos na comparação com a sondagem anterior – e apenas 14% dizem que votarão no filhote do fascista. Já na pergunta estimulada do primeiro turno, Lula aparece com 40% e Flávio Rachadinha, como também é chamado, soma 28%. Em um eventual segundo turno, a vantagem do presidente subiu para oito pontos, um crescimento de dois pontos – 45% contra 37%.

A situação mais favorável ao candidato Lula fica expressa na melhora da avaliação do seu governo. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação superou a desaprovação – 48% a 47%. Essa melhora é sustentada. O apoio ao governo cresce continuamente desde abril, quando o placar estava em 43% de aprovação e 52% de reprovação. Nos últimos doze meses, as curvas se inverteram, com Lula ganhando cinco pontos e a percepção desfavorável recuando seis pontos.

Avanço de Lula em redutos do bolsonarismo

O mais significativo ainda é que esse avanço ocorre em segmentos e regiões historicamente associados ao eleitorado bolsonarista. A pesquisa Quaest indica crescimento da avaliação positiva da gestão tanto entre brasileiros de maior renda quanto em estados das regiões Sul e Centro-Oeste. Se na média nacional a aprovação do governo subiu de 47% para 48%, um avanço de um ponto percentual, entre os brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos a aprovação aumentou seis pontos, passando de 35% para 41%. No mesmo segmento, a desaprovação ao governo caiu de 60% para 54%, uma redução também de seis pontos percentuais.

Na região Sul, considerada um dos principais redutos do bolsonarismo nas últimas eleições, a aprovação do governo passou de 33% para 37%, um crescimento de quatro pontos. Já a rejeição caiu de 63% para 58%, redução de cinco pontos. Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, essa melhora na percepção da sociedade sobre o governo Lula se deve principalmente a fatores econômicos, às “entregas” realizadas nos últimos meses. “Com o Desenrola, o fim da escala 6×1 e a isenção do Imposto de Renda, o governo acumulou cinco pontos de aprovação desde abril”.

Estragos causados por Michelle Bolsonaro

Já o definhamento do candidato do PL na atual pesquisa Quaest também tem vários motivos, ainda segundo Felipe Nunes. “O mais expressivo deles foi o conflito com Michelle Bolsonaro, que ficou conhecido por apenas metade dos brasileiros. Os vídeos divulgados parecem ter provocado algum dano dentro da base potencial do Flávio, já que 35% da direita e 20% do bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgar o vídeo… Toda essa confusão dentro da família acabou provocando uma reação que parece afastar o potencial eleitor independente do Flávio: diminuiu (de 33% para 29%) a percepção de que Flávio Bolsonaro é mais moderado que sua família”.

Diante desse cenário, que é apenas uma fotografia do atual momento, muitos já especulam sobre mudanças na disputa sucessória. Em matéria publicada nesta quarta-feira (15) na Folha, Mônica Bergamo relata que “um novo fantasma assombra aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela presidência: a desmobilização do eleitorado bolsonarista diante da percepção de que ele pode sair derrotado em outubro, somada a uma campanha que consideram insossa”.

Três meses de guerra eleitoral

“Na opinião desses aliados de Flávio, a queda já seria fruto da desmobilização do bolsonarismo raiz. O candidato, por esta visão, estaria permanentemente na defensiva, evitaria polêmicas e, com isso, não geraria paixão nem engajamento do eleitorado mais à direita, como o pai despertava. Essa atitude seria a responsável pelo fato de o pré-candidato estar inclusive perdendo espaço no ambiente digital”.

Pesquisa da DSC Lab divulgada pelo jornal O Globo mostrou que Flávio Bolsonaro encerrou o mês de junho com 73,57 pontos no iBR (Índice Brasil de Impacto Digital), registrando queda de 4,28 pontos em relação ao levantamento anterior. Já Lula avançou 9,51 pontos, e a diferença entre os dois caiu de 32,08 para 18,29 pontos, praticamente reduzindo-se à metade. Os dados sobre o definhamento do candidato do fascismo impressionam, mas não devem levar à subestimação do inimigo. Afinal, a campanha ainda nem começou. Muita água vai rolar nestes três meses de guerra eleitoral!

Charge: Miguel Paiva/247

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