Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reforça luta contra o racismo, o machismo e as desigualdades

Rio de Janeiro (RJ), 28/07/2024 - 10ª Marcha das Mulheres Negras do RJ. Mulheres negras marcham contra o racismo e pelo bem viver - Tânia Rêgo/Agência Brasil.

O dia 25 de julho marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data que simboliza a resistência, a organização e a luta das mulheres negras contra o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais. Criada em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, a data nasceu da articulação de lideranças de diversos países em defesa dos direitos das mulheres negras e da construção de uma agenda comum de enfrentamento às opressões.

No Brasil, a celebração também é dedicada ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014 em homenagem à líder quilombola que comandou o Quilombo do Quariterê, no atual estado de Mato Grosso, durante o século XVIII. Sua trajetória tornou-se símbolo da resistência do povo negro à escravidão e da capacidade de organização política das comunidades quilombolas.

Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o 25 de julho reafirma a necessidade de fortalecer a luta por igualdade racial, direitos trabalhistas, valorização das mulheres e combate a todas as formas de discriminação. Em um país onde as mulheres negras seguem ocupando os postos de trabalho mais precarizados, recebendo menores salários e sendo as principais vítimas da violência e da exclusão social, a data representa um chamado à mobilização permanente.

Mulheres que marcaram a história

Ao longo da história, diversas mulheres negras contribuíram para a construção de sociedades mais justas e democráticas na América Latina e no Caribe.

Entre elas está Tereza de Benguela, que liderou por décadas o Quilombo do Quariterê, organizando a produção agrícola, o comércio e a defesa da comunidade contra as ofensivas coloniais. Sua liderança tornou-se referência na luta pela liberdade e autonomia dos povos negros.

Outra figura fundamental é Lélia Gonzalez, intelectual, antropóloga e uma das principais referências do feminismo negro brasileiro. Sua obra evidenciou como racismo, machismo e desigualdade de classe se articulam na realidade latino-americana. Ao desenvolver o conceito de amefricanidade, valorizou as raízes culturais e históricas dos povos negros do continente, influenciando gerações de pesquisadores e movimentos sociais.

Na luta pela independência de Cuba, destacou-se Mariana Grajales Cuello, reconhecida como uma das maiores heroínas do país. Ao lado de sua família, participou do processo de libertação nacional e tornou-se símbolo da coragem e da participação feminina nas lutas populares.

Também integra essa trajetória Aqualtune, princesa do Reino do Congo que foi escravizada e trazida ao Brasil. Após fugir do cativeiro, chegou ao Quilombo dos Palmares, onde exerceu importante papel de liderança. Sua história está diretamente ligada à resistência negra durante o período colonial.

No Peru, a artista Victoria Santa Cruz utilizou a cultura como instrumento de afirmação da identidade negra. Poeta, compositora, coreógrafa e pesquisadora, dedicou sua vida à valorização da cultura afro-peruana e ao combate ao racismo por meio da arte.

Luta permanente por igualdade

Mais de três décadas após sua criação, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha continua mobilizando organizações sindicais, movimentos populares, entidades do movimento negro e coletivos feministas em diversos países.

A programação do 25 de julho reúne marchas, debates, seminários, manifestações culturais e atividades de formação política voltadas à denúncia das desigualdades e à defesa de políticas públicas que garantam igualdade de oportunidades, combate ao racismo, trabalho digno, educação, saúde e proteção social para as mulheres negras.

Para a CTB, a construção de uma sociedade democrática passa necessariamente pelo enfrentamento ao racismo estrutural, à violência de gênero e à exploração do trabalho. Valorizar a trajetória das mulheres negras significa reconhecer seu papel decisivo na organização da classe trabalhadora e na luta histórica por justiça social, democracia e direitos para todas e todos.

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