Prévia do IPCA-15 ficou em 0,06%, abaixo das expectativas do mercado financeiro. Para a CTB, cenário reforça a necessidade de acelerar a redução da Selic.
A prévia da inflação oficial do país registrou forte desaceleração em julho e reforçou a defesa da CTB por uma redução mais significativa da taxa básica de juros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta terça-feira (28) pelo IBGE, ficou em 0,06%, o menor resultado para o mês desde julho de 2023 e bem abaixo da expectativa de 0,22% projetada pelo mercado financeiro.
No acumulado do ano, o índice soma alta de 3,51%, enquanto a inflação em 12 meses recuou para 4,52%, confirmando uma trajetória de desaceleração iniciada em maio.
A queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis foi determinante para o resultado. A alimentação no domicílio registrou retração de 1,14%, com destaque para as reduções nos preços do tomate, da batata-inglesa e do café. Já os combustíveis tiveram queda média de 0,90%, com recuos na gasolina, etanol, diesel e gás veicular.
Para o vice-presidente da CTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), os números demonstram que não há justificativa para manter os juros em patamares elevados.
“A inflação está em desaceleração, ou seja, em queda. A prévia da inflação de julho é a menor para o mês desde julho de 2023 e ficou abaixo das projeções feitas pelos economistas da Faria Lima, frustrando o objetivo dos rentistas de interromper a redução das taxas de juros. Ainda assim, nós, trabalhadores, entendemos que a queda promovida até agora está muito aquém do necessário”, afirmou.
Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir para definir a taxa Selic. Atualmente, parte do sistema financeiro aposta em apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual, mantendo os juros em 14% ao final de 2026.
Para Bira, é preciso ampliar a mobilização para pressionar o Banco Central a promover uma redução mais expressiva.
“Precisamos pressionar por uma redução mais significativa das taxas de juros no país. Não é aceitável que mais de R$ 1,2 trilhão seja destinado ao sistema financeiro, que não produz um prego, enquanto o desenvolvimento, a produção e o emprego ficam prejudicados. Ao contrário do cartel dos bancos, expresso no Boletim Focus, seguimos defendendo juros muito menores”, destacou.
O dirigente também convocou trabalhadores e movimentos sociais para a mobilização marcada para a próxima semana em frente à sede do Banco Central, na Avenida Paulista.
“Temos que continuar a luta pela redução significativa das taxas de juros. Na próxima semana estaremos em frente ao Banco Central para exigir a queda urgente da Selic, porque juros menores significam mais investimentos, geração de empregos e fortalecimento da economia brasileira”, concluiu.
Para a CTB, a desaceleração da inflação confirma que há espaço para uma política monetária voltada ao crescimento econômico, à valorização do trabalho e à ampliação dos investimentos produtivos, em vez da manutenção de uma remuneração elevada ao sistema financeiro.


