Adilson: “Unidade entre FFAA e movimento social é fundamental para dissuadir hostilidades de Trump”

Para o presidente da CTB, os juros escorchantes e o saldo comercial norte-americano tiram toda a razão do fascista

Em entrevista ao HP, Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), declarou que “Trump não tem motivos para reclamar”. O sindicalista afirmou que “o país faz das tripas coração no pagamento dos juros da dívida pública” ao sistema financeiro, principalmente norte-americano, e que “o superávit estadunidense com o Brasil, no comércio bilateral de bens e serviços, totalizou US$ 428 bilhões nos últimos 15 anos”. Adilson considera que “há um risco real de intervenção norte-americana nos assuntos internos do Brasil e que é fundamental a unidade entre o povo e as FFAA”. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista.

HP – Você considera que as relações com os EUA são muito predatórias para o Brasil?

Adilson – Diria que Donald Trump não tem motivos para reclamar. O Brasil tem feito “das tripas coração” para o pagamento dos maiores juros do mundo, 14,25%. Mais de um trilhão de reais por ano – 8% do PIB, quase o dobro dos orçamentos da Saúde, da Educação e da Segurança Pública somados – despejados no sistema financeiro, principalmente norte-americano, que sufocam o nosso desenvolvimento. Nas relações comerciais os números indicam que nos últimos 15 anos foram grandes os ganhos dos EUA. O superávit do mercado estadunidense com o Brasil no comércio bilateral de bens e serviços totalizou US$ 428 bilhões. Não convém aos EUA impor mais restrições com o aumento de tarifas. Tudo tem o limite do suportável.

HP – Na sua opinião, há risco de invasão dos EUA ao território nacional?

Adilson – Num quadro de crise global do capitalismo e acirrada transição geopolítica, essa ameaça se faz presente. O tema da Defesa e da Segurança Nacional ganha relevo e deve ser tratado com precaução e prioridade. Não sou especialista no assunto, todavia as movimentações assistidas nesse pouco mais de ¼ do século XXI – como ativação da 4ª frota militar no Atlântico Sul, investimento em bases militares no Continente Latino-americano, e mais recente, a beligerância bélica no mar do Caribe, as interferências e ataques à autodeterminação de diversas nações, as guerras de ocupação, o sequestro do presidente da Venezuela, Nikolas Maduro, e sua esposa, Cília Flores, bem como as constantes ameaças e declarações de interferência nas eleições do Brasil – devem aguçar as nossas preocupações com a segurança nacional, defesa da democracia e da nossa soberania.

HP – Qual a possibilidade de uma integração entre as FFAA e o movimento social?

Adilson – Os poderes constituídos da República são a maior segurança da Nação e da nossa gente. E não tenho dúvidas de que as Forças Armadas, que têm no povo o seu maior exército de contingência, são sabedoras da importância dessa unidade. O exemplo recente, a repulsa a uma tentativa de golpe, denotou importante preocupação e inconteste defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito. Ao coibir devaneios e preservar a ordem pública ganhou o respeito povo brasileiro. A democracia e a soberania foram garantidas.

HP – O que o governo pode fazer para dissuadir Trump a não se aventurar na intromissão em nossos assuntos internos?

Adilson – Como disse o presidente Lula: “Quem manda no Brasil é o povo brasileiro”. É preciso criar uma grande aliança com o povo. Deve rechaçar e denunciar toda e qualquer tentativa de interferência internacional na infraestrutura pública digital brasileira. A sua insistência em atentar contra o Brasil é parte da sua política imperialista. Segue impondo um tarifaço desmensurado, usa deliberadamente as plataformas de redes sociais, de forma criminosa, para macular o país e o nosso presidente. Trump afronta o mundo com investidas belicistas, guerras de ocupação e interferência na soberania das nações na tentativa de resgatar a malfadada “doutrina Monroe”, tentativa de transformar a nossa América no quintal do império.

HP – Em sua opinião, as FFAA estão preparadas para a hipótese de interferência em nossa soberania nacional?

Adilson – Esse é um assunto sensível. De todo modo, penso que a Defesa e a Segurança Nacional se inserem como prioridades dentro de uma estratégia de crescimento econômico acelerado, de libertação das forças produtivas, de rompimento das amarras ao seu pleno desenvolvimento e, como já disse, com uma justa política de investimento tecnológico, cientifico, de pesquisa e de inovação. Da infraestrutura e da logística. Certamente as relações internacionais com o norte global serão mais produtivas para todos.

Enfim, há que se ter um olhar ambicioso para celeridade da reindustrialização do país. No contexto da neoindustrialização, fortalecer a engenharia nacional e a política de conteúdo local, retomar o protagonismo da indústria da transformação, com maior investimento nas áreas de tecnologia, indústria naval, construção civil, aviação e com grande capacidade de transformação no modal transporte terrestre. Devemos sinalizar novos caminhos para a construção do Brasil do século XXI. A Embrear, Petrobrás, Eletrobrás, e sobretudo a água, precisam ser do Brasil e do povo brasileiro.

com informações: hora do povo. 

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