Resistir à pressão dos EUA e derrotar os lacaios do imperialismo

Foto: Manoel Porto.

Por Adilson Araújo, presidente da CTB

A luta pela soberania nacional no Brasil e na América Latina ganhou caráter de urgência máxima diante das recentes ofensivas imperialistas coordenadas pelos Estados Unidos.

A Resolução Política do 6º Congresso Nacional da CTB já havia apontado que a salvaguarda da soberania é a prioridade central do atual período histórico. Essa constatação se torna ainda mais urgente diante das mais recentes ofensivas do Departamento de Estado dos EUA, sob a gestão de Marco Rubio, e de Donald Trump, que resgatou explicitamente os termos da Doutrina Monroe.

O vídeo oficial divulgado por Washington declara abertamente que o domínio norte-americano sobre o continente não será mais questionado, utilizando o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, ocorrido em janeiro, como um sinal prático de sua nova política de segurança. Historicamente, as digitais da interferência de Washington na política doméstica brasileira estão marcadas de forma indelével nos golpes de 1964 e 2016. A novidade atual não reside na existência da ambição ou ação imperialista, mas sim na forma descarada e agressiva com que ela é exercida pelo governo de Donald Trump.

O novo tarifaço econômico imposto à manufatura e aos produtos industriais brasileiros ilustra essa estratégia, que tem por alvo o Brics e as relações do Brasil com seu principal parceiro econômico, a China. O objetivo central dessa ofensiva é causar prejuízos ao país para desgastar o governo federal e pavimentar o caminho para a candidatura de extrema-direita de Flávio Bolsonaro, que prometeu entregar as terras raras brasileiras para os EUA e se comporta como um lacaio do imperialismo. A tentativa de restabelecer a doutrina Monroe no século 21 configura um retrocesso político e ideológico de 200 anos.

Os imperialistas consideram a América Latina e o Caribe como um mero quintal de Washington e encontram na extrema-direita bolsonarista os aliados internos necessários para impor a vil submissão e se apoderar das nossas riquezas, terras raras, minerais críticos e petróleo.

No entanto, a história da América Latina é marcada por séculos de recusa ao papel de vassalo e rebeldia, sendo muitos os líderes e heróis desta luta, cabendo destacar os exemplos Simón Bolívar, José Martí, Augusto César Sandino, Farabundo Martí, Fidel Castro, Che Guevara, Salvador Allende, Hugo Chávez.

Carregamos e prezamos o legado dos líderes revolucionários que combateram a opressão imperialista e defenderam por todos os meios a soberania e a independência nacional, ao lado da democracia e do bem estar social.

Diante do cenário atual de cerco econômico e institucional, a resistência nacional deixa de ser uma pauta isolada ou abstrata e assume o aspecto central da luta de classes, pois como observou o comandante da revolução chinesa, Mao Tsé Tung, em contextos de agressão externa, a luta de classes se funde e se manifesta diretamente como luta em defesa da soberania e autodeterminação nacional.

Para enfrentar essa ofensiva — cuja face real e violenta na Venezuela demonstra não se tratar de uma mera abstração teórica ou teoria da conspiração —, o Brasil necessita consolidar uma frente ampla defensiva.

Essa articulação precisa engajar não apenas a classe operária, mas também setores do empresariado nacional que preservam o sentido de patriotismo, defendem os interesses nacionais e são contra sanções externas impostas para favorecer o Clã neofascista.

O ponto alto dessa batalha geopolítica em defesa da soberania ocorrerá nas urnas em outubro de 2026.

Impor uma derrota definitiva ao candidato que atua como lacaio dos interesses de Washington é o passo indispensável para assegurar a soberania, a democracia e os direitos do povo brasileiro.

A reeleição de Lula vai pavimentar o caminho para conquistar o fim da desumana escala 6×1 com a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários e outras demandas da classe trabalhadora.

O que está em jogo no processo eleitoral é a defesa da soberania nacional, da democracia, do patrimônio público, dos direitos trabalhistas, da valorização do salário mínimo, da Previdência Social, das políticas públicas, do bem estar social, a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento e pela integração soberana dos países da América Latina e Caribe. Resolução Política da Direção Nacional da CTB – CTB

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