CTB participa da IV Assembleia Continental da ALBA Movimentos em Cuba e reafirma defesa do socialismo

Encontro reuniu cerca de 200 delegados e delegadas de 132 organizações e 27 países do Sul Global, em Havana; entidade brasileira destacou a importância da unidade dos movimentos sociais latino-americanos

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou da IV Assembleia Continental da ALBA Movimentos, realizada em Havana, Cuba, reunindo cerca de 200 delegados e delegadas, militantes sociais e populares de 132 organizações e 27 países do Sul Global.

Realizada sob o lema “Por el socialismo, cien años caminando con Fidel” (“Pelo socialismo, cem anos caminhando com Fidel”), a Assembleia marcou os 100 anos do nascimento de Fidel Castro e reafirmou o compromisso dos movimentos sociais com a defesa da soberania dos povos, do internacionalismo e da construção de alternativas ao sistema capitalista.

Representando a CTB, o secretário adjunto de Políticas Sociais, Esporte e Lazer, Carlos Rogério Nunes, destacou a importância da participação da Central no encontro e o papel da ALBA Movimentos na articulação dos movimentos populares do continente.

“Idealizada por Fidel Castro e Hugo Chávez, a ALBA Movimentos Sociais é uma realidade dos movimentos sociais anti-imperialistas no nosso continente latino-americano. E a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, CTB, teve a honra de participar da sua quarta Assembleia Continental, realizada em Havana, Cuba”, afirmou.

Segundo Carlos Rogério, o lema escolhido para a Assembleia expressa a atualidade do legado de Fidel e a perspectiva defendida pelas organizações participantes diante da crise do capitalismo.

“O grande lema dessa plenária foi em defesa do socialismo, 100 anos caminhando com Fidel Castro. Uma referência a esse grande lutador revolucionário de Cuba e de toda a América Latina e a reafirmação de que a saída para a crise capitalista que nós vivemos é o socialismo”, ressaltou.

Solidariedade a Cuba

A Assembleia também foi marcada por ações concretas de solidariedade ao povo cubano. Segundo a declaração final do encontro, organizações participantes mobilizaram comunidades, locais de trabalho, universidades e movimentos populares para arrecadar alimentos, medicamentos e outros materiais destinados a Cuba.

As ações resultaram no envio de mais de três toneladas de itens de solidariedade à ilha.

Na declaração, a ALBA Movimentos destacou a resistência do povo cubano diante das dificuldades econômicas e reafirmou a solidariedade à Revolução Cubana, ao povo e à soberania de Cuba.

Os participantes também relacionaram a situação cubana ao cenário internacional e denunciaram o que classificam como recrudescimento das medidas de pressão dos Estados Unidos contra a ilha, além da permanência do bloqueio econômico imposto há décadas.

Defesa da soberania e integração latino-americana

A declaração final da IV Assembleia apontou a crescente militarização da América Latina e do Caribe como uma ameaça à soberania e à integração regional. O documento também reafirmou a defesa da América Latina e do Caribe como uma Zona de Paz, em referência à declaração da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), adotada em Havana em 2014.

A ALBA Movimentos reafirmou ainda seu apoio à soberania dos povos da região, à independência de Porto Rico, à reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas e às lutas de povos caribenhos e latino-americanos contra o colonialismo e a desigualdade.

Outro eixo destacado foi a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos povos indígenas, afrodescendentes, mulheres e juventudes, além da luta por reforma agrária, redistribuição da terra, educação e saúde universais e direitos trabalhistas.

Unidade dos movimentos sociais

Para as organizações reunidas em Havana, o avanço das forças conservadoras e de extrema direita na região exige maior articulação entre os movimentos populares.

A declaração defende o fortalecimento de uma democracia participativa e popular e aponta a necessidade de ampliar a capacidade de organização e comunicação dos movimentos sociais, inclusive diante dos desafios relacionados à inteligência artificial, às redes sociais, aos meios de comunicação e aos algoritmos.

O documento também destaca a necessidade de fortalecer o internacionalismo, o feminismo popular e a participação dos povos originários, afrodescendentes e trabalhadores do campo e da cidade.

“Caminhar com Fidel” como compromisso de luta

Ao final da Assembleia, as organizações participantes reafirmaram que o socialismo permanece como horizonte político da articulação continental e defenderam que sua construção deve estar presente nos territórios, escolas, bairros, comunidades e locais de trabalho.

“Esta Assembleia marca um hito em nossa articulação. Chegamos a Cuba sob o lema ‘por el socialismo, cien años caminando con Fidel’. Nos vamos com a ratificação de que o socialismo não só é urgente, mas necessário”, afirma a declaração final da ALBA Movimentos.

Para a entidade, a memória de Fidel Castro está diretamente vinculada à defesa da soberania, da dignidade humana e da unidade dos povos latino-americanos e caribenhos.

A participação da CTB na IV Assembleia Continental reforça, nesse sentido, a atuação da Central na construção de relações de solidariedade e cooperação entre organizações de trabalhadores e movimentos sociais da América Latina e do Sul Global.

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