Com o início da campanha eleitoral, entidades sindicais podem ampliar a orientação aos trabalhadores para identificar, checar e não compartilhar conteúdos falsos
Com o início da campanha eleitoral de 2026, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) reforça a importância da atuação das entidades sindicais no combate à desinformação. Em um período marcado pela intensa circulação de conteúdos nas redes sociais e aplicativos de mensagens, sindicatos podem contribuir para que trabalhadores e trabalhadoras tenham acesso a informações confiáveis e consigam identificar notícias falsas.
Para a CTB, a defesa da democracia passa também pelo direito à informação. As entidades sindicais, presentes diariamente nas bases e nos locais de trabalho, têm um papel importante na orientação dos trabalhadores, especialmente diante da disseminação de conteúdos falsos relacionados às eleições, aos direitos trabalhistas e às políticas públicas.
Uma das formas de fortalecer essa atuação é utilizar materiais de educação midiática e combate à desinformação, como os produzidos pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Informação contra a desinformação
Uma iniciativa destacada pela Secom é o Manual Arriégua, desenvolvido pela jornalista Marta Alencar, fundadora do projeto COAR Notícias. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de combater a desinformação em regiões com menor acesso a veículos jornalísticos e passou a trabalhar também com educação midiática.
O material utiliza linguagem simples e regional para orientar a população sobre como identificar fake news, conteúdos manipulados e materiais produzidos com inteligência artificial. Segundo a Secom, mais de 4 mil manuais já foram distribuídos em escolas do Piauí, Maranhão, Sergipe e Paraíba.
A experiência pode servir de referência para o movimento sindical. Sindicatos podem adaptar a linguagem e os conteúdos para suas categorias, levando informações sobre desinformação para assembleias, cursos de formação, boletins, sites, redes sociais e grupos de mensagens.
A iniciativa também ganhou reconhecimento institucional. Em 2024, a ministra Cármen Lúcia recebeu um exemplar do Manual Arriégua e solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma campanha nacional de enfrentamento às mentiras nas eleições.
Como os sindicatos podem ajudar
A CTB avalia que a atuação sindical deve priorizar a informação e a formação dos trabalhadores. Algumas medidas podem ser incorporadas pelas entidades durante o período eleitoral:
orientar os trabalhadores a verificar a origem das informações antes de compartilhá-las;
divulgar fontes oficiais e veículos jornalísticos confiáveis;
explicar como identificar imagens, vídeos e áudios manipulados;
alertar para conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial;
desmentir informações falsas que atinjam direitos trabalhistas e sociais;
promover debates e atividades de educação midiática nas entidades;
disponibilizar cartilhas e materiais de orientação nas bases sindicais.
A orientação é especialmente importante diante do avanço das ferramentas de inteligência artificial, capazes de produzir vídeos, imagens e áudios falsos cada vez mais convincentes.
Fake news também podem atingir os direitos dos trabalhadores
Durante as eleições, a desinformação pode ser utilizada para distorcer propostas relacionadas a emprego, salário, aposentadoria, serviços públicos, direitos sociais e legislação trabalhista.
Por isso, a atuação dos sindicatos não deve se limitar à defesa das categorias nas negociações e mobilizações. A CTB entende que também faz parte da organização dos trabalhadores contribuir para que a população tenha condições de acessar informações corretas e participar do processo democrático de maneira consciente.
A orientação básica é simples: antes de compartilhar, parar, verificar a fonte e conferir a informação.
Em um cenário eleitoral de forte disputa política, combater a desinformação é também uma forma de proteger o debate público. Para a CTB, sindicatos e demais organizações dos trabalhadores podem cumprir papel fundamental nessa tarefa, levando informação confiável às bases e fortalecendo a participação democrática.
A informação é uma ferramenta de defesa dos direitos. Nas eleições, combater a mentira também é defender a democracia.


