A classe trabalhadora voltou às ruas neste domingo (30) em uma grande mobilização nacional pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial. Em São Paulo, a manifestação ocupou a Avenida Paulista, com concentração no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), reunindo trabalhadores, sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais.
A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) participou da mobilização e levou às ruas a defesa de uma mudança estrutural na jornada de trabalho. Durante o ato, o presidente nacional da Central, Adilson Araújo, destacou que o fim da escala 6×1 é uma reivindicação histórica da classe trabalhadora e uma medida necessária para garantir mais qualidade de vida.
“Não é mais possível conviver com essa realidade. Nós temos que pôr fim à famigerada escala 6×1”, afirmou Adilson.
Para o presidente da CTB, a luta pela redução da jornada está diretamente relacionada à construção de um projeto nacional de desenvolvimento que tenha o trabalho digno como uma de suas prioridades. Segundo ele, a história do trabalho no Brasil é marcada pela exploração e por jornadas que impõem sofrimento aos trabalhadores.
“É esse Brasil que assistiu por três séculos e meio a um regime escravocrata. A atividade do trabalhador no Brasil sempre foi marcada por muito sofrimento”, afirmou.
Adilson também chamou atenção para os impactos das condições de trabalho sobre a saúde e a vida dos trabalhadores. Segundo ele, a manutenção de jornadas exaustivas revela a necessidade de uma mudança no modelo de relações de trabalho.
“Já alcançamos 38 anos sem discutir jornada de trabalho. O trabalho exaustivo, o trabalho penoso, vem ceifando vidas”, destacou.
Redução da jornada é desenvolvimento
A CTB defende que a redução da jornada não representa um entrave ao desenvolvimento econômico. Pelo contrário, a Central sustenta que a diminuição do tempo dedicado ao trabalho pode contribuir para o aumento da produtividade, para a geração de empregos e para a melhoria das condições de vida.
Adilson Araújo ressaltou que países que reduziram a jornada de trabalho conseguiram combinar melhores condições para os trabalhadores com avanços econômicos.
“O Brasil precisa se encontrar com a linha de países importantes que, ao reduzir a jornada, elevaram sua economia, aumentaram a produtividade e garantiram maior ganho para as empresas”, afirmou.
O dirigente também citou estimativas sobre o potencial de geração de empregos com a redução da jornada.
“Essa medida, segundo a Unicamp, vai gerar 4 milhões de novos empregos”, disse.
Para a CTB, o debate sobre a jornada precisa ser compreendido para além da organização dos dias de trabalho. A redução da jornada significa devolver aos trabalhadores tempo para a convivência familiar, o descanso, o lazer, os estudos, a cultura e a participação na sociedade.
CTB presente na Avenida Paulista
Em São Paulo, a CTB-SP participou do ato com suas entidades filiadas e reforçou a necessidade de ampliar a pressão sobre os parlamentares.
O presidente da CTB-SP, Rene Vicente, destacou que a mobilização das ruas precisa se transformar em pressão direta sobre os senadores.
“É necessário pressionarmos os senadores que representam o estado de São Paulo para que eles votem a favor da classe trabalhadora”, afirmou.
O secretário-geral da CTB-SP, José Carlos, também defendeu a continuidade da mobilização durante a tramitação da proposta no Senado.
“Vamos pressionar nossos senadores para a aprovação e para que a pauta avance no Senado”, declarou.
A mobilização contou ainda com a participação de entidades filiadas à Central, como o Sintaema-SP. O presidente da entidade, José Faggian, ressaltou que a redução da jornada é fundamental para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora.
Mobilização nacional
O ato em São Paulo fez parte de uma jornada nacional que levou trabalhadores às ruas em diversas cidades brasileiras. As manifestações ocorreram às vésperas de uma semana decisiva para a tramitação da proposta no Senado.
Houve mobilizações em cidades como Salvador (BA), Goiânia (GO), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Natal (RN), Aracaju (SE), São Luís (MA) e Belém (PA). Em Porto Alegre (RS), a manifestação prevista para o Parque da Redenção foi cancelada em razão da previsão de fortes chuvas.
Em Salvador, trabalhadores se concentraram no Morro do Cristo e seguiram em caminhada até o Farol da Barra. No Rio de Janeiro, a mobilização ocorreu no Posto 5, em Copacabana. Em Fortaleza, a concentração foi realizada na região da Estátua de Iracema, na Praia de Iracema.
A diversidade de locais e categorias envolvidas reforçou o caráter nacional da reivindicação pelo fim da escala 6×1.
Pressão sobre o Senado
A mobilização acontece em um momento decisivo da tramitação da proposta de redução da jornada. A PEC 221/2019 está em análise no Senado e tem previsão de avanço na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O texto aprovado pela Câmara estabelece jornada de até 40 horas semanais, distribuída em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial.
Depois da análise na comissão, a proposta ainda precisará ser votada pelo plenário do Senado. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários 49 votos favoráveis entre os 81 senadores, em dois turnos de votação.
Por isso, as centrais sindicais e os movimentos sociais defendem a intensificação da pressão sobre os parlamentares ao longo dos próximos dias, com atos, panfletagens, mobilização nas redes sociais e contato direto com os gabinetes dos senadores.
“A gente tem que trabalhar para viver”
A luta pelo fim da 6×1 também ganhou força entre jovens e mulheres, que estão entre os trabalhadores mais afetados pelas jornadas extensas e pela dificuldade de conciliar emprego, estudos e responsabilidades familiares.
A reivindicação também está relacionada à necessidade de garantir que o trabalhador tenha tempo para viver para além do ambiente de trabalho.
A CTB considera que a redução da jornada é parte de uma agenda mais ampla de valorização do trabalho e de enfrentamento à precarização das relações trabalhistas.
Para Adilson Araújo, essa agenda estará também presente na disputa política de 2026. O presidente da CTB defendeu que a classe trabalhadora fortaleça candidaturas comprometidas com suas reivindicações.
“A gente vai fazer a campanha do Lula, mas, ao mesmo tempo, vamos fazer a campanha dos nossos governadores e governadoras, dos senadores e senadoras, dos deputados e deputadas vinculados à luta do povo”, afirmou.
O dirigente reforçou que a mobilização precisa continuar nas ruas e se transformar em pressão política para garantir a aprovação da redução da jornada.
“Se vamos juntos, a luta deve ir embora!”, concluiu.
A CTB seguirá mobilizada em todo o país pela aprovação do fim da escala 6×1 e pela jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial.
























































