Central reforça que combater a sobrecarga, o assédio e a precarização também é lutar pela saúde e pela vida dos trabalhadores
O mês de setembro é marcado pela campanha Setembro Amarelo, que amplia o debate sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a discussão também precisa passar pelas condições em que milhões de brasileiros exercem suas atividades profissionais.
Pressão excessiva, jornadas extensas, sobrecarga, insegurança no emprego, assédio moral e ambientes de trabalho hostis podem afetar profundamente a saúde física e mental dos trabalhadores. Por isso, a CTB defende que a promoção da saúde mental esteja diretamente ligada à luta por trabalho decente, direitos trabalhistas e condições dignas e seguras de trabalho.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram a dimensão do problema. Em 2024, foram registrados 472 mil afastamentos por transtornos mentais, um aumento de 68% em relação ao ano anterior e o maior número da série histórica dos últimos dez anos.
As mulheres representaram 64% dos afastamentos, com idade média de 41 anos. Ansiedade e depressão estiveram entre os principais quadros registrados, com grande parte dos trabalhadores permanecendo afastada por até três meses.
Saúde mental também é uma questão trabalhista
A CTB chama atenção para o fato de que a saúde mental não pode ser tratada apenas como uma responsabilidade individual. As condições de trabalho têm papel importante na prevenção do adoecimento e precisam ser enfrentadas de forma coletiva.
A cobrança permanente por produtividade, o excesso de tarefas, a falta de descanso, jornadas desgastantes e situações de assédio são fatores que podem agravar o sofrimento psicológico.
Nesse sentido, defender a redução da jornada, combater a precarização das relações de trabalho, garantir descanso e fortalecer a organização sindical também são medidas de proteção à saúde dos trabalhadores.
O debate ganha ainda mais relevância diante da luta pelo fim da escala 6×1, defendida pelas entidades sindicais como parte da construção de uma jornada de trabalho mais humana, que permita ao trabalhador ter tempo para descanso, convivência familiar, lazer e cuidados com a própria saúde.
Justiça do Trabalho reforça importância da prevenção
O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-CE) também destaca, durante o Setembro Amarelo, a importância da prevenção ao suicídio e da promoção da saúde mental no ambiente profissional.
Por meio do Programa Trabalho Seguro, o Judiciário Trabalhista desenvolve ações voltadas à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho e à promoção de ambientes profissionais mais seguros e saudáveis.
A iniciativa reforça que a proteção da saúde do trabalhador deve contemplar tanto os riscos físicos quanto os impactos psicológicos decorrentes das condições de trabalho.
Acolhimento e solidariedade
Além das mudanças nas condições de trabalho, o acolhimento também é fundamental. Mudanças de comportamento, isolamento e manifestações de pensamentos negativos podem indicar que uma pessoa está passando por um momento de sofrimento.
Nessas situações, é importante ouvir sem julgamentos, demonstrar disponibilidade, manter contato e incentivar a busca por ajuda profissional.
A CTB reforça que falar sobre saúde mental é também falar sobre dignidade, direitos e qualidade de vida. A prevenção não deve se limitar ao mês de setembro, mas fazer parte de uma política permanente de proteção à classe trabalhadora.
Onde buscar ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188 e também por canais de atendimento online.
Em situações de emergência ou risco imediato, o SAMU pode ser acionado pelo telefone 192.
Para a CTB, defender a saúde mental é defender a vida — e defender a vida também significa lutar por trabalho decente, jornadas dignas, respeito aos direitos e ambientes profissionais livres de violência e assédio.


