No Dia da Independência, CTB reforça que soberania nacional, democracia e direitos sociais caminham juntos
O dia 7 de setembro marca a Independência do Brasil, proclamada em 1822, e é tradicionalmente lembrado por desfiles e celebrações cívicas em todo o país. Mais de dois séculos depois, porém, a data também convida a uma reflexão sobre o significado de ser uma nação independente e sobre os desafios para construir um Brasil verdadeiramente democrático, soberano e socialmente justo.
A independência política em relação a Portugal foi um marco importante na formação do Estado brasileiro. Mas a construção de uma sociedade livre e democrática é um processo permanente. Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), não existe soberania nacional sem democracia, direitos sociais, valorização do trabalho e participação popular.
A própria Constituição Federal de 1988 estabelece que o Brasil é um Estado Democrático de Direito e aponta como fundamentos da República a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho. O texto constitucional também determina que todo o poder emana do povo.
Por isso, defender a democracia significa muito mais do que garantir eleições. Significa assegurar liberdade de organização e manifestação, respeito às instituições, direitos trabalhistas, acesso à saúde e à educação, moradia digna, igualdade de oportunidades e condições para que a população possa participar efetivamente das decisões que definem os rumos do país.
Independência também é soberania
Em um mundo marcado por disputas econômicas, guerras, interesses geopolíticos e concentração de riqueza, a defesa da soberania nacional permanece atual.
Um país soberano precisa ter capacidade de decidir seus próprios caminhos, proteger seus recursos naturais e estratégicos, fortalecer sua indústria, garantir empregos de qualidade e colocar o desenvolvimento econômico a serviço da população.
Nesse sentido, patriotismo não pode ser confundido com discursos vazios ou com a apropriação de símbolos nacionais para dividir a sociedade. Defender o Brasil é defender seu povo, seus trabalhadores, sua democracia e sua capacidade de decidir seu próprio futuro.
A independência nacional, inclusive, aparece entre os princípios fundamentais das relações internacionais previstos na Constituição de 1988, ao lado da defesa da paz, dos direitos humanos e da autodeterminação dos povos.
Democracia se fortalece com participação popular
O 7 de Setembro também é uma oportunidade para lembrar que a democracia não pertence apenas aos governos ou às instituições. Ela é construída diariamente pela sociedade.
Sindicatos, movimentos populares, organizações sociais e trabalhadores têm papel fundamental nesse processo. A luta por melhores salários, redução da jornada, emprego digno, serviços públicos de qualidade e proteção social também faz parte da construção democrática.
É nesse sentido que mobilizações populares ocupam as ruas durante a Semana da Pátria. O Grito dos Excluídos e Excluídas, realizado desde 1995, nasceu justamente como uma forma de fazer contraponto ao tradicional Grito da Independência e levar às ruas as reivindicações de setores historicamente excluídos da sociedade.
Em 2026, a 32ª edição do Grito acontece entre 1º e 12 de setembro, com concentração das mobilizações no dia 7. O lema deste ano é “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, mantendo como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”. Entre as pautas estão o fim da escala 6×1, moradia digna, reforma agrária, educação pública, defesa do SUS, combate ao feminicídio, ao racismo e à LGBTfobia.
Uma independência que precisa chegar à vida dos trabalhadores
Para a CTB, falar em independência também significa questionar as desigualdades que ainda marcam o país.
Não há independência plena quando milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para garantir alimentação, moradia e acesso a serviços públicos. Não há soberania popular quando trabalhadores são submetidos a jornadas exaustivas, baixos salários e condições precárias de trabalho.
A luta pela redução da jornada e pelo fim da escala 6×1 se insere justamente nesse debate. Ter mais tempo para descansar, conviver com a família, estudar, participar da comunidade e exercer a cidadania é também uma questão de qualidade de vida e de democracia.
A democracia precisa estar presente não apenas nas urnas, mas também nos locais de trabalho, nas comunidades e nas relações sociais.
Defender a democracia é defender o futuro do Brasil
O 7 de Setembro deve ser uma data para celebrar a história brasileira, mas também para pensar no país que queremos construir.
A independência conquistada em 1822 abriu um novo capítulo na história nacional. A redemocratização e a Constituição de 1988 ampliaram direitos e estabeleceram as bases do Estado Democrático de Direito. Agora, cabe à sociedade continuar defendendo e ampliando essas conquistas.
Para a CTB, democracia, soberania, justiça social e valorização do trabalho são partes de um mesmo projeto de país.
Neste 7 de Setembro, a defesa do Brasil passa pela defesa de seu povo. Passa pelo direito de trabalhar com dignidade, ter tempo para viver, acesso a serviços públicos de qualidade, liberdade para se organizar e participar da vida política e social.
Ser independente é poder decidir o próprio destino. E não existe futuro soberano para o Brasil sem democracia, direitos e dignidade para quem trabalha.


