No Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, CTB-SP alerta para os impactos da sobrecarga, do assédio e da precarização e defende ambientes de trabalho seguros e saudáveis
O dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, data que integra as ações do Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização, à prevenção e à valorização da vida. Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), falar sobre prevenção também significa discutir as condições de vida e de trabalho da classe trabalhadora.
O sofrimento psíquico não pode ser tratado apenas como uma questão individual. Jornadas excessivas, pressão permanente por resultados, metas abusivas, assédio moral, insegurança no emprego, baixos salários e precarização das relações de trabalho podem contribuir para o adoecimento dos trabalhadores.
Por isso, a prevenção precisa incluir também a transformação dos ambientes de trabalho.
Saúde mental é questão de saúde e de direitos
O Ministério da Saúde reconhece o suicídio como um fenômeno complexo e multifatorial e destaca que sua prevenção exige ações articuladas de diferentes setores da sociedade e das políticas públicas.
No mundo do trabalho, essa discussão ganhou ainda mais importância com a atenção aos chamados riscos psicossociais. O Ministério do Trabalho e Emprego reforça a necessidade de que as empresas identifiquem e previnam fatores relacionados à organização e às condições de trabalho que possam afetar a saúde dos trabalhadores.
Entre esses fatores estão excesso de demandas, falta de autonomia, relações profissionais inadequadas, violência, assédio e problemas na organização do trabalho.
O Ministério Público do Trabalho também mantém uma frente específica de atuação sobre saúde mental no trabalho, buscando promover ambientes psicossocialmente seguros e prevenir adoecimentos relacionados às condições laborais.
O trabalhador não pode ser responsabilizado pelo que o trabalho provoca
Para a CTB-SP, é fundamental romper com a ideia de que o trabalhador precisa simplesmente “aprender a lidar” com ambientes que produzem sofrimento.
A prevenção passa pela organização do trabalho.
Isso significa combater o assédio moral e sexual, estabelecer jornadas que respeitem os limites humanos, enfrentar metas abusivas, garantir períodos adequados de descanso, fortalecer a proteção contra acidentes e doenças ocupacionais e assegurar canais efetivos para denúncias e acolhimento.
Também é necessário garantir que os trabalhadores tenham acesso aos serviços públicos de saúde e às políticas de atenção à saúde mental.
Sindicatos têm papel fundamental
A organização sindical ocupa um lugar estratégico nessa luta. Os sindicatos podem denunciar situações de assédio e adoecimento, cobrar mudanças das empresas, negociar melhores condições de trabalho e incluir a saúde mental nas convenções e acordos coletivos.
O próprio Ministério Público do Trabalho destaca a importância da articulação com o movimento sindical para incorporar a saúde mental às relações de trabalho e fortalecer a prevenção dos riscos psicossociais.
Para a CTB-SP, defender a saúde mental significa defender um modelo de trabalho que respeite a vida e a dignidade dos trabalhadores.
A Central reforça que ninguém deve enfrentar sozinho uma situação de sofrimento. Buscar ajuda profissional e apoio das redes de saúde, familiares e pessoas de confiança pode ser fundamental, especialmente diante de uma situação de crise.
No Brasil, o CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Mas o acolhimento individual precisa caminhar junto com mudanças coletivas.
Neste 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a CTB-SP reafirma que defender a vida também é lutar contra o assédio, a exploração, a precarização e todas as formas de trabalho que adoecem.
Um trabalho digno precisa ser também um trabalho que preserve a saúde, a segurança e a vida de quem trabalha.


