Bancários da Caixa rejeitaram proposta do ACT e iniciaram greve por tempo indeterminado; no Banco do Brasil, paralisação ocorre nas bases que rejeitaram a proposta
Os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa Econômica Federal iniciaram, nesta quinta-feira (10), greve nacional por tempo indeterminado. No Banco do Brasil (BB), a paralisação ocorre de forma parcial, nas bases sindicais que rejeitaram a proposta apresentada pela instituição.
A mobilização acontece após meses de negociações entre o movimento sindical e os bancos. Na quarta-feira (9), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e as entidades sindicais assinaram a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária, válida até 31 de agosto de 2028.
A CCT garante reposição integral da inflação medida pelo INPC, mais aumento real de 0,6% em 2026 e 2027, com os reajustes incidindo também sobre benefícios como vale-refeição, vale-alimentação, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e auxílios.
A greve, portanto, está relacionada principalmente às negociações dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) específicos da Caixa e do Banco do Brasil.
Caixa: greve nacional por tempo indeterminado
Na Caixa Econômica Federal, os empregados rejeitaram a proposta de renovação do ACT e aprovaram a greve nacional. Segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta apresentada pelo banco.
Entre os principais pontos de divergência está o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. A proposta apresentada pela instituição altera o modelo de custeio e aumenta a participação dos trabalhadores.
Para empregados da ativa, a contribuição do titular passaria a variar entre 2,7% e 4,5%, conforme a idade, enquanto a mensalidade por dependente ficaria entre R$ 480 e R$ 660. O teto familiar também seria elevado de 7% para 9% da remuneração-base.
Para aposentados e pensionistas, a alíquota do titular seria de 4,5%, com cobrança de R$ 660 por dependente.
A proposta prevê ainda aumento do valor da consulta em pronto-socorro, de R$ 75 para R$ 150, e elevação do limite anual de coparticipação familiar, de R$ 3.600 para R$ 4.800.
Além do Saúde Caixa, os trabalhadores reivindicam avanços em outros pontos do ACT, como a aplicação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), o combate às metas abusivas e a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.
Após a rejeição da proposta, a Caixa retomou as negociações com a Comissão Executiva dos Empregados e marcou uma nova rodada para esta quinta-feira (10).
A orientação das entidades sindicais é manter a paralisação até que eventuais avanços sejam apresentados e submetidos novamente à avaliação dos trabalhadores em assembleias.
Em nota, a Caixa afirmou que mantém o diálogo com as entidades representativas dos empregados e que retornou à mesa de negociação com o objetivo de buscar um entendimento entre as partes.
Banco do Brasil: paralisação é parcial
No Banco do Brasil, a mobilização não ocorre em todo o país. A paralisação foi aprovada nas bases sindicais que rejeitaram a proposta apresentada para a categoria.
Entre as localidades que não aprovaram a proposta estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis. Outras bases sindicais aprovaram a convenção, que já foi assinada.
Em Sergipe, por exemplo, os trabalhadores do Banco do Brasil aprovaram a greve por tempo indeterminado, com 55,62% dos votos, conforme decisão do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE).
O Banco do Brasil participa das negociações gerais da Fenaban e também mantém uma mesa específica com as entidades sindicais para tratar das reivindicações próprias dos empregados da instituição.
Entre os pontos apresentados pelo BB estão o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para a Cassi e a realização de estudos para revisão do Plano de Carreira e Remuneração. Para os trabalhadores que rejeitaram a proposta, as medidas não foram suficientes para encerrar os impasses.
O que prevê a nova Convenção Coletiva
A nova CCT, assinada na quarta-feira (9), tem validade até 31 de agosto de 2028 e abrange cerca de 414 mil bancários de aproximadamente 3,6 mil municípios.
Ao todo, 171 bancos integram a convenção, assinada por 245 entidades sindicais.
Além da reposição integral do INPC e do aumento real de 0,6% em 2026 e 2027, o acordo prevê reajustes para salários, PLR, vale-refeição, vale-alimentação e auxílio-creche ou babá.
A convenção também estabelece medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão fora do horário de trabalho. Foram incluídas ainda regras de transparência e limites para o monitoramento digital dos empregados.
Outro ponto previsto é a criação de um programa de qualificação e recolocação profissional, além de melhorias na indenização destinada aos trabalhadores de bancos privados demitidos em razão do fechamento de agências.
Atendimento durante a greve
Durante a paralisação, Caixa e Banco do Brasil orientam os clientes a priorizar os canais digitais, aplicativos, internet banking e serviços de autoatendimento.
Na Caixa, continuam disponíveis o aplicativo Caixa, internet banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, caixas eletrônicos, rede Banco24Horas, casas lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui.
O atendimento telefônico da Caixa pode ser realizado pelo 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e pelo 0800-104-0104, para as demais localidades.
No Banco do Brasil, permanecem disponíveis o aplicativo, Internet Banking, correspondentes bancários, Central de Relacionamento e WhatsApp. Os telefones informados pelo banco são 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-729-0001, para as demais localidades.
A paralisação das agências não interrompe automaticamente o pagamento de benefícios. Serviços que possam ser realizados por meios digitais e eletrônicos continuam disponíveis, enquanto atendimentos que dependam do funcionamento presencial das agências podem ser afetados pela adesão dos trabalhadores à greve.


