Direito ao voto feminino: uma conquista da luta das mulheres que segue inspirando a luta por igualdade

Foto: reprodução.

CTB destaca a importância da participação das mulheres na política e no movimento sindical e defende o enfrentamento ao machismo e às desigualdades de gênero

O direito das mulheres de votar e serem votadas é uma conquista histórica da luta feminista e democrática. No Brasil, essa vitória foi oficializada em 24 de fevereiro de 1932, com a instituição do primeiro Código Eleitoral, após décadas de mobilização de mulheres que enfrentaram o preconceito e a exclusão política. A data de 3 de novembro, associada ao tema em calendários históricos, também remete ao período de consolidação do alistamento eleitoral feminino em 1932.

Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), relembrar essa conquista é reafirmar que nenhum direito foi concedido espontaneamente: cada avanço foi resultado da organização, da resistência e da mobilização popular.

Durante muito tempo, as mulheres foram excluídas das decisões políticas e impedidas de participar plenamente da vida pública. A conquista do voto representou um passo fundamental na ampliação da cidadania, mas não eliminou as desigualdades que ainda limitam a participação feminina nos espaços de poder.

Em 1932, o Código Eleitoral garantiu às mulheres o direito de votar e serem votadas, inicialmente com restrições. Em 1933, elas participaram pela primeira vez de uma eleição nacional para a Assembleia Constituinte. A Constituição de 1934 incorporou o sufrágio feminino, ampliando o reconhecimento dos direitos políticos das mulheres.

Kátia Branco: participação política é instrumento de transformação

Para Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, a conquista do voto feminino precisa ser compreendida como parte de uma luta mais ampla por direitos, igualdade e participação das mulheres na construção de uma sociedade democrática.

“O direito ao voto foi uma conquista histórica das mulheres, fruto de muita luta e resistência contra uma sociedade que nos queria afastadas das decisões políticas. Mas a nossa luta não terminou quando conquistamos o direito de votar. Precisamos ocupar os parlamentos, os governos, os sindicatos e todos os espaços de decisão. Não basta sermos maioria na sociedade: precisamos ter voz, poder de decisão e condições reais de participar da vida política”, afirma Kátia Branco.

A dirigente ressalta que a participação política das mulheres também está diretamente relacionada às condições de vida e de trabalho. A desigualdade salarial, a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados, a violência de gênero e a falta de políticas públicas continuam impondo obstáculos à autonomia feminina.

“Não existe democracia plena enquanto as mulheres enfrentarem a violência, receberem salários menores, acumularem jornadas exaustivas e tiverem sua capacidade política questionada. A luta por igualdade precisa estar presente nas ruas, nos locais de trabalho e nas organizações sindicais. Queremos mulheres com direitos, independência econômica e participação efetiva nas decisões que definem os rumos do país”, destaca.

A luta continua nos locais de trabalho e nos espaços de poder

A CTB defende que a ampliação da participação feminina é indispensável para fortalecer a democracia e avançar na construção de uma sociedade mais justa. No movimento sindical, essa luta passa pela valorização da presença das mulheres nas direções, pelo combate ao machismo e pela defesa de políticas que garantam igualdade de oportunidades.

A memória das mulheres que abriram caminho para a conquista do voto também reforça a importância da organização coletiva. A história mostra que direitos políticos e sociais não são permanentes quando não há mobilização para defendê-los e ampliá-los.

Por isso, a CTB reafirma seu compromisso com a luta das mulheres trabalhadoras, pela igualdade de direitos, pelo combate a todas as formas de discriminação e pela ampliação da representação feminina nos espaços de decisão.

A conquista do voto foi um marco. A luta por igualdade, participação política e emancipação das mulheres continua todos os dias.

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