Central destaca a importância de uma educação pública que estimule o pensamento crítico, a consciência social e a formação cidadã dos jovens
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) defende a revogação da reforma do ensino médio aprovada durante o governo de Michel Temer e a ampliação do espaço de disciplinas como História, Filosofia e Sociologia na formação dos estudantes. A posição reforça a necessidade de uma educação pública de qualidade, comprometida não apenas com a preparação para o mercado de trabalho, mas também com o desenvolvimento do pensamento crítico e da consciência cidadã.
O debate ganha relevância diante dos desafios enfrentados pela educação brasileira e da necessidade de garantir aos jovens acesso ao conhecimento científico, histórico e social. Para a CTB, a escola deve oferecer condições para que os estudantes compreendam a realidade em que vivem, conheçam a história do país, reflitam sobre as desigualdades sociais e desenvolvam autonomia para participar da vida democrática.
Reforma de Temer mudou a estrutura do ensino médio
A Lei nº 13.415/2017, aprovada durante o governo Michel Temer, promoveu mudanças na organização curricular do ensino médio, ampliando a carga horária destinada aos itinerários formativos e reduzindo o espaço da formação geral básica. A implementação da reforma foi alvo de críticas de estudantes, professores e entidades ligadas à educação, que apontaram problemas relacionados à fragmentação curricular e às desigualdades na oferta de disciplinas entre as redes de ensino.
Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 14.945, que reformulou novamente a estrutura do ensino médio e revogou parcialmente a legislação anterior. A nova norma, implementada a partir de 2025, ampliou a formação geral básica para 2.400 horas e estabeleceu a presença de História, Filosofia, Sociologia e Geografia na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
Apesar dos avanços, a CTB considera necessário aprofundar o debate sobre o modelo e assegurar uma formação ampla, com tempo adequado para o ensino das diferentes áreas do conhecimento.
A secretária de Educação da CTB, Arielema Galvão, ressalta que os problemas na distribuição da carga horária afetam diretamente as condições de trabalho dos professores e a qualidade do ensino oferecido aos estudantes.
“Redes estaduais enfrentam gargalos na distribuição da carga horária entre a formação geral básica e os percursos de aprofundamento, impactando diretamente a lotação e a estabilidade dos professores/as dessas áreas de conhecimento nas escolas. A reforma do ensino médio aprofundou a precarização da profissão docente e a qualidade do ensino para milhares de estudantes. Reconhecemos o avanço no governo Lula com a recuperação das 2.400 da formação geral básica, mas, precisamos manter o debate para avançar mais, dialogando com os trabalhadores/as da educação, estudantes e sociedade”, afirma.
História, Filosofia e Sociologia são fundamentais para a formação dos jovens
História permite compreender os processos que construíram a sociedade brasileira, as lutas populares e as conquistas dos trabalhadores. Filosofia estimula a reflexão, a argumentação e o questionamento. Sociologia contribui para a compreensão das relações sociais, das desigualdades e das estruturas econômicas e políticas que influenciam a vida cotidiana.
Reduzir o espaço dessas áreas ou oferecer conteúdos de maneira superficial limita as oportunidades de aprendizagem e prejudica a formação integral dos estudantes. O acesso ao conhecimento não pode ser condicionado apenas às exigências imediatas do mercado de trabalho.
A defesa de uma educação emancipadora passa pela valorização dos professores, pela garantia de condições adequadas de ensino e pela construção de currículos que assegurem aos jovens o direito de aprender, questionar e compreender o mundo.
Educação pública de qualidade é direito da juventude
Para a CTB, defender mais aulas de História, Filosofia e Sociologia significa defender o direito dos estudantes a uma formação completa, capaz de articular conhecimento, cultura, ciência e participação social.
Uma educação pública comprometida com a democracia deve preparar os jovens não apenas para exercer uma profissão, mas também para compreender seus direitos, reconhecer as desigualdades e participar das decisões que afetam a sociedade.
A valorização dessas disciplinas é parte fundamental da luta por uma escola pública de qualidade, inclusiva e socialmente referenciada, que contribua para a formação de cidadãos conscientes e para a construção de um país mais justo.


