Central participou do encontro nacional da Rede de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, em Brasília, e reforçou a necessidade de combater adoecimentos e mortes nos ambientes de trabalho
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou do 13º Encontro Nacional da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Renasttão), realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Brasília (DF). O evento reuniu cerca de 300 participantes de todo o país, entre representantes dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), das Comissões Intersetoriais de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Cistt), movimentos sociais, entidades sindicais e gestores públicos.
Com o lema de que “sem participação social não existe trabalho saudável”, o encontro teve como foco principal o fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador e da trabalhadora, o papel do controle social e a implementação das deliberações aprovadas na 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (5ª CNSTT), realizada em 2025.
A CTB esteve representada por dirigentes da CTB Nacional e das seções da Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A secretária nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora da CTB, Daniele Moretti, e a secretária adjunta, Elgiane Lago, participaram das atividades e debates realizados ao longo dos três dias de programação.
Para Daniele Moretti, a presença da CTB no Renasttão reafirma a defesa da participação ativa dos trabalhadores na formulação e fiscalização das políticas públicas de saúde.
“O Renasttão é o encontro dos Cerests do Brasil e conta com uma participação especial do controle social. A CTB, como uma central que tem trabalhado e debatido permanentemente as questões da saúde do trabalhador e da trabalhadora, foi uma das entidades convidadas para discutir, junto à Coordenação-Geral de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Ministério da Saúde, os rumos dessa política a partir das resoluções aprovadas na 5ª Conferência Nacional”, afirmou.
Segundo a dirigente, a participação dos trabalhadores é condição fundamental para o avanço das políticas públicas no setor.
“Para nós da CTB, estar no Renasttão é afirmar que não se faz saúde do trabalhador sem o trabalhador. Nós não somos objetos de pesquisa nem de experiências acadêmicas. Somos sujeitos e protagonistas desse processo. Queremos que nossa voz seja ouvida e que haja um basta aos adoecimentos e às mortes nos ambientes de trabalho”, destacou.
Combate aos acidentes e mortes no trabalho
Um dos principais temas debatidos durante o encontro foi a construção do Pacto pela Vida dos Trabalhadores e Trabalhadoras, iniciativa coordenada pela Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador (CGSAT), vinculada ao Ministério da Saúde, que busca articular esforços para reduzir os acidentes fatais e os agravos relacionados ao trabalho no Brasil.
O tema foi abordado no painel “Como reduzir os óbitos relacionados ao trabalho no Brasil? Desafios da implementação do Pacto pela Vida do Trabalhador e da Trabalhadora”, reunindo especialistas, gestores e representantes do movimento sindical.
As centrais sindicais também destacaram a importância da mobilização realizada anualmente em 28 de abril, Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho, reforçando a necessidade de ampliar a prevenção e fortalecer a vigilância em saúde do trabalhador.
Os rumos da saúde do trabalhador após a 5ª Conferência
Outro destaque da programação foi o debate sobre os novos rumos da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora após a realização da 5ª CNSTT. Os participantes defenderam que as propostas aprovadas na conferência sejam efetivamente implementadas pelos gestores públicos, com acompanhamento permanente do controle social.
Também foram discutidos temas como a vigilância dos processos produtivos, estratégias para transformar as condições de trabalho, o reconhecimento das doenças relacionadas ao trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS), a implementação da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho e as potencialidades do aplicativo da lista disponível no Meu SUS Digital.
Oficinas debateram desafios atuais do mundo do trabalho
A programação incluiu ainda diversas oficinas temáticas que abordaram questões centrais para a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, entre elas os impactos das mudanças climáticas sobre o trabalho, a integração entre a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a Renast, o planejamento estratégico da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, além da construção de uma rede nacional de pesquisa, ensino e extensão na área.
A CTB participou ativamente da oficina de Planejamento Estratégico da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, contribuindo para a formulação de propostas voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde e das ações de vigilância em saúde.
Ao final do encontro, a avaliação dos participantes foi de que o fortalecimento da Renast, dos Cerests e das instâncias de controle social é fundamental para enfrentar o crescimento dos adoecimentos relacionados ao trabalho e garantir ambientes laborais mais seguros, saudáveis e dignos para toda a classe trabalhadora.
“Precisamos de um SUS efetivo na área da saúde do trabalhador, com vigilâncias atuantes e Cerests comprometidos com as denúncias e demandas apresentadas pelos sindicatos. Queremos uma atuação capaz de promover mudanças reais nos processos de trabalho e preservar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros”, concluiu Daniele Moretti.
Assista às transmissões completas no canal da SVSA no YouTube em:
https://www.youtube.com/@dados-svs-secretariadevigi6636


