A Assembleia dos Povos do Mundo – “O Mundo Novo: América Latina e a Construção do Futuro Compartilhado” encerrou suas atividades nesta quarta-feira (17), em Salvador, consolidando-se como um importante espaço de diálogo internacional sobre os desafios contemporâneos e a construção de alternativas voltadas à paz, à justiça social e à cooperação entre os povos.
O último dia da programação reuniu lideranças sindicais, representantes de movimentos sociais, pesquisadores, gestores públicos e especialistas de diversos países da América Latina, África, Ásia e Europa para uma série de debates sobre desenvolvimento, cultura, igualdade racial, diversidade linguística e futuro do trabalho.
Justiça social e desenvolvimento econômico
Um dos destaques da programação foi o painel “Economia do Desenvolvimento e Justiça Social”, moderado por Aleksandr Ageev, presidente do Conselho de Peritos Científicos da Assembleia dos Povos do Mundo.
A mesa contou com saudações do secretário-geral da Assembleia dos Povos do Mundo, Andrey Belyaninov, e do presidente nacional da CTB, Adilson Araújo. Entre os participantes estiveram Vânia Marques, presidenta da Contag; Ronaldo Leite, secretário-geral da CTB; Ernesto Freire Casañas, coordenador regional da Federação Sindical Mundial (FSM); Vicente Barrientos, presidente do Centro BRICS; além de representantes sindicais e populares da Nicarágua, Paraguai, Panamá, México e Venezuela.
Os debates abordaram a justiça social como elemento estratégico para o desenvolvimento econômico, o fortalecimento da cooperação internacional e a construção de modelos econômicos mais inclusivos e sustentáveis.
Liderança feminina e construção de valores
O painel “O Papel da Mulher na Formação da Agenda de Valores” reuniu lideranças femininas de diferentes países para discutir o protagonismo das mulheres na construção de uma agenda global baseada na solidariedade, no desenvolvimento humano e na cooperação internacional.
A atividade foi conduzida por Yanina Dubeykovskaya, diretora executiva adjunta da Assembleia dos Povos do Mundo, e contou com a participação de Andreia Sabino, presidenta da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe; Rosa de Souza, presidenta da CTB Bahia; Sandra Baldiviezo, liderança indígena da Bolívia; Martha Alejandra Wilches Pulido, dirigente sindical da Colômbia; além de representantes da Venezuela, Rússia, Paraguai e Cazaquistão.
Cultura e soberania em um mundo multipolar
A cultura como instrumento de integração entre os povos foi tema do painel “Soberania Cultural da América Latina: Novos Significados em um Mundo Multipolar”.
A mesa discutiu o papel das manifestações culturais na defesa da identidade dos povos e no fortalecimento das relações entre os países do Sul Global. Participaram do debate Fabiana Amorim, da Casa Carnaval; Socorro Gomes, do Cebrapaz; o maestro Rubens Ricciardi; as cineastas Jimena Pereira e Daniela Farina; além de representantes da Rússia, Chile e Argentina.
Preservação das línguas indígenas
Outro momento importante da programação foi o painel “O Patrimônio Linguístico dos Povos Indígenas: Do Passado ao Futuro”, dedicado à preservação das línguas originárias e à valorização da diversidade cultural.
Entre os palestrantes estiveram Eduardo de Almeida Navarro, considerado uma das maiores autoridades em língua tupi no Brasil; Maria Rosário Gonçalves de Carvalho, da UFBA; Ordep Serra, presidente da Academia de Letras da Bahia; Wakay Cícero Pontes da Cruz, pesquisador das culturas indígenas; além de especialistas da Índia, Rússia, Haiti, México e Venezuela.
Os participantes destacaram a importância da proteção do patrimônio linguístico como instrumento de fortalecimento da identidade cultural dos povos indígenas e de preservação de conhecimentos ancestrais.
Enfrentamento das desigualdades sociais
A programação também contou com o painel do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), intitulado “Desafios de um Mundo em Transformação – A Construção de um Futuro Compartilhado na América Latina para o Enfrentamento às Desigualdades Sociais”.
Mediado por Adilson Araújo, o debate reuniu integrantes do Conselhão da Presidência da República, entre eles Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese; Monica Veloso, vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos; Alcielli dos Santos; Juliana Neumann e Andrey Belyaninov.
A mesa discutiu caminhos para o desenvolvimento regional, geração de oportunidades e redução das desigualdades econômicas e sociais.
Geopolítica e luta antirracista
A promoção da igualdade racial esteve no centro das discussões do painel “Geopolítica e a Modernidade da Luta Antirracista”.
A atividade reuniu a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Ângela Guimarães; Marina Duarte, vice-presidenta do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e coordenadora nacional da UNEGRO; a multiartista Ayana Amorim; além do jornalista internacional russo Nikita Anisimov.
Os participantes debateram os desafios do combate ao racismo em escala global e a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à igualdade racial e à valorização das populações negras.
O futuro da classe trabalhadora
Encerrando a agenda temática da Assembleia, o painel “O Presente e o Futuro da Classe Trabalhadora” promoveu reflexões sobre as transformações do mundo do trabalho diante dos avanços tecnológicos e das mudanças econômicas globais.
Sob mediação de Adilson Araújo, participaram representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Associação Brasileira da Advocacia Trabalhista (Abrat), do Dieese, da Federação Sindical Mundial e de entidades sindicais do Brasil, Moçambique e Rússia, entre eles Sandro Lunardi, Elise Correia, Adriana Marcolino, Jeremias Timani e Ernesto Freire.
Compromisso com um futuro compartilhado
Ao final dos trabalhos, os participantes reafirmaram o compromisso com a construção de um mundo multipolar baseado na soberania dos povos, na cooperação internacional, na valorização da cultura, na promoção da igualdade e na defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Com ampla participação internacional e forte presença dos movimentos sociais, sindicais, acadêmicos e culturais, a Assembleia dos Povos do Mundo encerrou sua edição em Salvador consolidando-se como um importante espaço de articulação política, intercâmbio cultural e formulação de propostas para enfrentar os desafios globais do século XXI.


