Por Marcos Aurélio Ruy
A divulgação do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública recentemente comprova a violência dos homens para impor às mulheres a ideologia do patriarcado a todo custo. Somente no primeiro trimestre de 2026, 399 mulheres foram vítimas de feminicídio. Em 2025, foram 1.571 mulheres assassinadas por questões de gênero.
Sendo 59,4% das vítimas mortas por companheiros e 21,3% por ex-companheiros. O que mostra que o perigo não mora ao lado, mas dentro de casa. “Mesmo com um governo que se preocupa e cria mais políticas para a defesa da vida das mulheres, os homens estão nos matando, agredindo, estuprando”, afirma Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), aliás, “a única que tem a questão de gênero no seu nome”.
Por isso, diz Kátia, “o movimento sindical vem atuando no combate à violência contra as mulheres no ambiente de trabalho, nas ruas e mesmo em casa”. Até porque somente no primeiro trimestres deste ano foram 171.036 pedidos de medidas protetivas, aponta o anuário.
Lenir Piloneto Fanton, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CTB acentua as palavras de Kátia. “As mulheres trabalhadoras enfrentam um cotidiano absurdamente violento. Levantam cedo todos os dias para ir ao trabalho e ainda têm que cuidar dos afazeres domésticos, filhos” e passam por “constrangimentos com assédio nas ruas, no transporte público e até no trabalho”, constata.
Ela lembra que somente em 2025, 84.388 mulheres foram estupradas, sendo 29.135 das vítimas vulneráveis, a maioria meninas com menos de 14 anos. Kátia destaca que os órgãos especializados apontam para uma grande subnotificação porque “cerca de 80% desses crimes ocorrem dentro de casa por pessoas conhecidas das vítimas, muitas vezes familiares”.
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Já Francisca Pereira da Rocha Seixas (Professora Francisca), secretária de Relações de Género da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), prega a urgência de “um grande debate sobre as questões de gênero com envolvimento de toda a sociedade” porque “não adianta a escola educar somente as crianças e as famílias repetiram a violência muito presente na internet, nas redes sociais assim como nas ruas e nos lares”.
De acordo com a Professora Francisca, a “educação sexual com respeito às faixas etárias dos estudantes, é essencial para as crianças e os adolescentes identificarem a violência e o abusador e isso ajuda no combate à pedofilia e á violência”.
Já Gleicy Blank, secretária da Mulher da CTB-ES, diz que “a sociedade precisa superar a cultura do estupro e a escola ensinar a cultura da paz e do respeito”, além da importância de divulgar amplamente o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990 e o ECA Digital para coibir as violências digitais.
“A importância do movimento sindical na luta pelos direitos e pela vida das mulheres é primordial”, mas “é necessário envolver todas e todos nessa luta para construirmos uma sociedade baseada na integridade física e mental de todas as pessoas”, reforça Kátia. Afinal “defender a vida das mulheres e seus direitos significa lutar por um país mais justo, solidário e igualitário”.


