Por Professora Francisca Foto: Shutterstock
O avanço tecnológico trouxe uma realidade que não se pode ignorar. A inteligência artificial bate à nossa porta e é necessário abri-la com todo cuidado porque é importante que seja usada em benefício das pessoas.
Em primeiro lugar, é necessário falar das plataformas digitais utilizadas de uma maneira geral nas escolas, como em São Paulo, revelam grandes problemas, inclusive com erros graves para o aprendizado. Além disso, professoras e professores ficam com uma sobrecarga de trabalho, pois tudo foi decidido autoritariamente, sem o prévio conhecimento dos profissionais em como trabalhar com essas plataformas privadas, caras e inócuas.
Parece que pretendem substituir o insubstituível trabalho humano das professoras e professores. No caso da inteligência artificial, os profissionais da educação assim como os estudantes devem ter relevância em todos os projetos e principalmente no processo de ensino e aprendizagem.
As trabalhadoras e os trabalhadores da educação precisam de autonomia suficiente para gerenciar suas respectivas salas de aula e escolas, porque conhecem melhor suas alunas e alunos e com isso podem ter prognósticos adequados para os encaminhamentos dos trabalhos, direcionando-os para uma melhor compreensão do que se é estudado.
Para que isso possa ocorrer, é importante criar plataformas públicas para se ter independência na elaboração dos conteúdos, que sigam os currículos, mas com ampla liberdade de discussão.
Entendendo que as relações humanas são insubstituíveis e na educação o trabalho das professoras e dos professores são igualmente insubstituíveis, a inteligência artificial deve ser um fator agregador e facilitador do pensamento crítico conectado com a realidade concreta.
Não podemos fugir dos avanços tecnológicos, mas é preciso garantir qualidade em todo material produzido e que a tecnologia possa inovar na possibilidade de ampliação dos horizontes culturais com democracia e liberdade.
Professora Francisca é diretora da Secretaria de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, diretora executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e diretora da CTB-SP.


